Porque Something

Something é uma das melhores dos Beatles. E é uma das melhores músicas do melhor dos Beatles, o George. E Something está presente num dos ...

terça-feira, 20 de março de 2018

Fakebook

hoje, por volta das 9h e pouco da manhã me cansei do facebook.
Vi ali um pântano, um lamaçal. De onde se tira lótus mas onde se suja e muito também! Onde tudo é sujo, mancha, talvez tenha cheiro ruim... quase um esgotão.

E me vi esgotada.

Ali já foi um bom lugar para se frequentar, encontrar quem pensa igual, refletir sobre o que pensam os diferentes, debater, rir, indignar, sofrer... muitas sensações, muito sentimentos, muitas informações ali. Mas ultimamente - e já tem uns meses apesar de hoje ser a gota d'água - tem ficado cada vez mais difícil encontrar informação. Sem ter que limpar de todo ódio, ressentimento vazio...
Ali não é mais espaço para compartilhar nada, absolutamente nada.
Ali virou um verdadeiro depósito de opiniões, uma exposição exacerbada do ego de cada um.
Ali as pessoas não querem se informar nem conversar, elas querem expor e expor e expor! E acima de tudo, ter razão!

Me vi acomodada a receber informação e de repente, me vi sem as informações que recebia - o espaço foi logo preenchido pelos partidarismos, militâncias, fake news... uma lástima!
Agora, acho que vou usar mais o google pra garimpar informação. Saudades do orkut!

Talvez os espaços devam ser respeitados... lugar de informação e lugar de afeto, separados.
Assim você não tem uma bagunça e nem tem que aturar correntes e santos e dizeres bíblicos e sofrimentos e indiretas e alegrias de amigos no mesmo lugar que você retira notícias de jornais, conhece o mundo, recebe entretenimento e curiosidades... Pessoas comuns são muito suscetíveis a fake news, então nas rodas de amigos, pode sempre rolar. Se vc cria uma teia de notícias particular, vc pode se ver livre desses fake news absurdos porém pode ser sim manipulado por correntes de pensamento único, sei lá... Mas não viraria uma bagunça. Vou tentar assim.
Vou tentar usar o google e o twitter para me informar. E vou tentar usar o whats e o insta para conversar com as pessoas. Vamos ver o que rola. Mas confesso que estou um pouco com medo de entrar no insta ou no twitter pois posso me deparar com a atmosfera suja do facebook também. Acho que as redes sociais não andaram conforme a sociedade andou. Ou talvez as redes sociais estejam se moldando a nojeira em que a sociedade tem se convertido.

Merlí e Malhação

Olha,

difícil encontrar críticas pra essa Malhação do Cao Hamburger, viu!
E eu sou saudosista né? Eu também acho que foram de grande valor as temporadas de Malhação da minha adolescência que trataram de Aids, Herpes, Gravidez na Adolescência, Alcool, conflitos de famílias e por aí vai.

Daí que hoje vi um post no Facebook falando que Merlí é uma série adolescente tipo Malhação só que com cérebro. 😠😠😠

Como eu o-dei-o essas comparações!
E sério, eu gosto de Merlí. E gosto de Malhação. Vejo Malhação mais próxima da realidade da juventude hoje, de cidade grande. Merlí me remete a adolescentes mais brandos, realidades mais controladas, um pouco da minha juventude que eu sei que é totalmente diferente do que vejo agora.

Não sou dessas que gosta de falar 'no meu tempo...' e nem que 'jovem é tudo igual' ou que 'todo mundo já foi adolescente um dia'. As experiências são diferentes, os amadurecimentos, tendências vão mudando e é natural.

Outra coisa que eu acho que a Netflix trabalha muito bem é o contrário do que o Moska diz, é um 'Escutar dentro com o ouvido de fora' - explico - lembra de 13 Razões? Uma série interessante que fala de suicídio mas para suicidas podem ser gatilhos muito fortes e não contribuem exatamente para a pessoa doente. Contribui, talvez, para que a pessoa de fora, entenda. É o perigo do lugar de fala...
A série assume o lugar de fala do suicida mas não fala com o suicida. Fala com quem está do lado de fora. Assim vejo Merlí. A série fala por jovens mas não comunica exatamente com jovens, penso.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Semânticas, Ponderações e Gênero

"Quem estudou latim se lembra que a palavra "feliz" é felix, que significa também "fértil". Felicidade é sinônimo de fertilidade. Fertilidade não é apenas gerar outras pessoas. Fertilidade é impedir que a vida cesse na sua múltipla condição. Fertilidade é dificultar a desertificação dos nossos sonhos. Fertilidade é fazer com que não haja a esterilização do nosso futuro. Ser feliz é sentir-se fértil."
(Mario Sergio Cortella)

Ontem fiquei triste de ver que uma amiga 'demonstrou interesse' num evento no FB. Uma palestra sobre Ideologia de Gênero. Dentro de uma igreja.
Estou estudando a beça isso. Saí do campo da total negação (que se eu nego a existência da Ideologia de Gênero, nego também o diálogo para entender de onde vem o pensamento sobre esse combate ao que eu julgo inexistir, pois dialogar sobre o que não existe parece inútil) para a investigação.
Já que não se pode contra eles... investigue-os! Pois juntar-se a eles sem nenhum pensamento crítico ou esclarecimento não faria sentido também.

Então, seguindo pela minha cruzada, do pouco que encontrei sobre a origem do termo, a maioria remete a IV Conferência da ONU sobre mulheres, que ocorreu em 1995, em Beijing.
De um jeito muito simplista, abordam da seguinte forma: feministas radicais tomaram o debate sobre empoderamento feminino e botaram a questão do gênero no meio. Da diferenciação de tratamento de acordo com o gênero e não mais se tinha um dilema entre homem e mulher. Se tratava da definição de 'gênero'.
Algo errado em falar sobre gênero? Na nossa mente não. Mas na mente de outras pessoas, esta questão de gênero se trata de uma anulação de homem e mulher. Falar de respeito e gênero ao invés de respeito entre homem e mulher soa de um jeito ameaçador para algumas pessoas. Essa parte, o porquê disso, eu realmente ainda não entendi.
Mas tudo se dá a partir do argumento de uma jornalista que estava lá e que depois disso escreveu vários livros sobre a mudança no feminismo e sobre ideologia de gênero.

Mas uma coisa me chamou atenção e pode ser apenas um fato curioso mas achei relevante. Esta conferência de 1995 foi a primeira que Hillary Clinton participou e, antes da candidatura de Trump eu não me lembro de ouvir falar tanto em fake news, pós verdade e ideologia de gênero.
Atacar Hillary gerando escândalo em suas primeiras aparições, criar um monstro Hillary, sorrateiro que come pelas beiradas e que a gente nem viu mas que chegou chegando parece e é bem coisa do Trump. Não encontrei em vídeos, em discursos, em notícias absolutamente NADA que retratasse essa situação de golpe, domínio da mesa, tomada do discurso, invasão de feministas radicais, feminazis... nadinha!

Me parece que a relação gênero e ideologia de gênero nessa questão foi de uma puta má interpretação ou má conduta mesmo.