Porque Something

Something é uma das melhores dos Beatles. E é uma das melhores músicas do melhor dos Beatles, o George. E Something está presente num dos ...

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Os golpes que damos em nós mesmxs

Então o povo queria que a Dilma saísse para acabar com a corrupção. A Dilma saiu e a corrupção tá aí, se esbaldando na nossa cara de banquetes VIP e a gente roendo o osso!

Agora a Indonésia aprova a castração de pedófilos e vc tá aí pedindo pra que o Brasil mire no exemplo. Tá que vc vai castrar um monte de pedófilos e a pedofilia e o estupro vão continuar aí.

São medidas de uma população desesperada, imediata! E isso me revolta! A pressa cega! E esse excesso de certezas que as pessoas têm, com certezas de que as medidas são/serão as melhores ever!
Como os que querem a volta da alta velocidade nas marginais, gritam contra a 'indústria da multa'...

Cara, faz muito tempo que eu não vejo um acidente feião com motociclista, por exemplo. Acredito que seja reflexo dessa medida de redução de velocidade. Os acidentes não são mais tão feios. As vítimas nem sempre são fatais. Os gastos com manutenção de autos são menores, o trânsito tem fluído melhor, mas as pessoas querem ter pressa. A pressa virou algo assim, normal.

Temos pressa em opinar, pressa em saber as respostas, pressa em comunicar... isso é foda!

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Aos/As amigxs que compartilham demonstrações de indignação, expressas por violência, como o caso da agressão a Janaina Paschoal, a Gleisi Hoffmann, Eduardo Cunha... Não acho certo e nem legal, cara!
NENHUMA VIOLÊNCIA É JUSTIFICATIVA OU JUSTIFICÁVEL!!! Ainda mais se são atos individuais, filmados propositalmente para serem veiculados nas redes sociais...
Não são estes atos que nos tornam heróis mas na real, nos diminuem. Fico pensando... será realmente que essas pessoas sabem como (se) foram afetadas pelas medidas, corrupções destas pessoas? Será que elas agem assim com qualquer tipo de injustiça que sofrem? Inclusive aquelas mais diretas: um atraso no salário, uma fila furada.. Enfim, não acho nada digno ficar legitimando violências e tal.

E como o pensamento me surgiu: mas você não acha digno ter violência em protesto?
Então, não acho digno. Acho compreensível que atitudes massivas, movidas por paixões e fúrias possam sair do controle e, diante do enfrentamento nada amigável de quem deveria manter a ordem, fica mais fácil ainda de compreender, pela minha visão.

E, acho que o massivo é difícil de controlar - não impossível. O individual deveria ser controlável, sendo estranho o descontrole, isso sim!
Acho que uma pessoa, sozinha, se descontrolar e partir para a violência, algo meio inexplicável (meio porque alguém deve conseguir explicar) e tal comportamento, para mim, não deveria ser compartilhado como ato heroico.

Ainda mais se formos pensar no retorno! Esse retorno, parece que está cada vez mais distante da mente das pessoas mas cada vez mais perto da cara delas! Ninguém pensa na consequência, no revide! Há consequências, fato!
Se você é permissivo com esta atitude de cá, porque você condena a de lá? Se você aplaude quem bate na Letícia Sabatella, deveria também compreender o direito de bater na Janaina Paschoal. Só que não é assim! Se você bate no Cunha, vira herói. Se você bate no Lula... aaaah aí são outros quinhentos! Mas deveriam ser? Deveria haver aplausos para qualquer uma dessas atitudes?

Entendo a indignação. Não entendo a violência.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Sobre conexões

Acho que a gente anda muito exclusivão! Muito imediatista e lacrador!

Explico

Tem muito post sem conteúdo, sem reflexão, mas com frases arrematadoras, de impacto, que não fazem a pessoa pensar muito e simplesmente 'curtir'.
A rede social não faz pensar. Faz curtir. E anda meio complicado tentar estabelecer diálogos na rede social. Bizarro, não? rsrsrs
É muita opinião. Muito exibicionismo.

Tipo aquela coisa do 'Tome Coca-Cola'!
Que não faz pensar mas dá vontade de tomar Coca-Cola, sabe?
Então, é tipo isso que estou falando.
Não sei se tem a ver com a adoção do consumo para nosso cotidiano, nossa cultura e que acabamos por viver publicitariamente, de marketing e propaganda ou se sou eu que ando viajandona das teorias da comunicação e tentando estabelecer uma conexão com as antropologias que me faltam estudar. rs

Sabe, eu venho tentando, mas não obtido sucesso, ao me posicionar, estimular o diálogo, o debate porque as vezes me pego muito submersa em meus ideais e posicionamentos. Acho isso prejudicial. Acho que perigoso mergulhar demais em ideias próprias. Estar com pessoas de pensamentos próximos aos meus me faz parecer que estou na chamada 'bolha' e eu posso me perder em comodidade, conformismo... estagnar. Resignar. Que indigno! rsrs

Sabe, quando eu posto algo com revolta, com raiva ou com ironia, não tô esperando likes ou um 'é isso mesmo', 'falou tudo', 'concordo, miga!', 'bem isso' e coisas do tipo. Eu quero conversar! CON-VER-SAR!!! Assim quando alguém posta algo que sou contrária e eu vou lá dar pitaco, eu quero no fundo saber como o outro lado pensa, por defender, apoiar, concordar com algo que eu opino diferente! A questão do entendimento é muito maior (se não for única) do que qualquer tentativa de lacrar.
Acho isso de lacrar bem vazio. Exceto quando se lacra com conteúdo. rsrs

E eu vejo corporações, governanças, grupos se aproveitando desses fazedores de opinião bonitinha ou bem aceita - caso do discurso da Marcela Temer, caso do aumento das velocidades para carros, caso da privatização dos parques, caso de negação à Haddad e aceitação de Dória, Escola sem partido e por aí vai... Quando a opinião é realmente sua? Quando de si vc dá para formar uma opinião e defendê-la?
Saca aquela função novelística narcotizante? que tira a gente da realidade pra fantasiar um cadim porque a real é bem foda de encarar?
Pois é. Parece que várias entidades e órgãos do governo estão fazendo uso dessa tática narcotizante mostrando tudo como belo e as pessoas engolindo sem questionar.
O problema é que estas mesmas instituições são as que deveriam dar suporte, assistência ao povo e não meter um anestésico depois de meter a faca no peito, saca? Ultimamente tá sendo assim.

Parece que entramos num estado de ordem massiva. De controle. De padrão. O que me remete as nossas influências de culturas internacionais. E também me remete a conservadorismo. Acho válido lembrar que muita coisa mudou com o avanço da extrema direita na França né? Depois eu monto um pensamento a respeito disso que está se formando aqui na cabeça, apesar de ainda não ter ganchos e explicações, tem me atormentado. A França é o centro da moda. A moda é o ponto mais alto do consumismo. O consumismo tem ganhado cada vez mais espaço... talvez esse seja o gancho mas preciso produzir melhor issaqui.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Bug

Ontem fiz um post no FB a respeito de coexistir. Com base na pintura das estátuas dos bandeirantes em SP no final de semana.

Reproduzindo:
"Sobre a pintura dos monumentos aos bandeirantes aqui em SP.
Olha, eu sei que tem uma grande parte da população que entende estes monumentos como homenagens a um período progressista, origem da nossa cidade e tal... Entendo este ponto de vista. 'Em virtude' do progresso ele não está errado. Respeito.
E também sei que tem uma grande parte da população que entende estas estátuas como representações de um período em que, o homem racional com direito de escolha, opta pela violência para justificar o progresso. Para esta parte da população (a qual me enquadro) é inaceitável que a escolha por estupro, escravidão, matança seja ostentada por anos e anos e anos através destes monumentos. Então, sabendo que existe ponto de vista diferente do teu, acho que é possível compreender que tais estruturas gigantescas levantadas pela cidade podem ser vistas como afronta e, nem mesmo deveriam existir mas existem! De um modo saudável, convivemos com estas estátuas, sem nunca intervir. Você também poderia, de um jeito saudável, entender que tal ponto de vista existe, também não é errado e respeitar.
Assim, uma ação que não abala as estruturas dos monumentos: não arranca pedaço, não retira o significado delas para os progressistas, não compromete o trabalho do artista (só precisou de agentes químicos e uma lavagem que ficou tudo como era antes, não foi?) não devia ser tão problematizada assim.
Existem grupos grandes de pessoas que defendem visões distintas sobre as esculturas e que co-existem harmoniosamente há anos. E tais visões sobre um mesmo período histórico são aceitáveis.
Acho sensacional, num mesmo monumento você ter a representatividade dos dois pontos de vista. Afinal, em tempos de violência explícita, ódios partidários, políticos e afins, vale lembrar que nossa história é marcada por violência sim e vale dar aquele peso moral pra refletirmos nossas atitudes inflamadas, por exemplo... Aquela pausa sobre o que vale em nome do progresso e sobre o quanto evoluímos para não regredir.
A pintura e a escultura, por mim, poderiam CO-EXISTIR lindamente. A pintura, transgressora e surpreendente como foi feita, remete a violação/violência e não teria o mesmo sentido fosse feita por um artista contratado, pago e tal.
INTERVENÇÃO. Intervir. Interferir numa representação histórica unilateral para que o outro lado também seja visto e contado. Então, para mim, limpar esta que poderia ser uma marca histórica e, no mínimo didática, é um passo para trás.
Concordo com Caio Blat quando ele diz: "Gostei da intervenção... podiam deixar por uns dias" - mas por mim, deixar por uns dias ainda seria pouco! Não é questão de se impor e sim de representar junto. Nada foi destruído, derrubado, se tornou irreversível.
CO-EXISTIR é algo que precisamos reaprender."

E surgiram pensamentos interessantes. Diálogos com pessoas que eu nem imaginava surgir. Gostei!
Por um lado, um migo falando que não consegue nem respeitar quem é fascista e homenageia a matança. Do outro, um migo falando que destruir a estátua é melhor porque não gera o custo da limpeza. rsrsrsrs  pessoas coexistindo. Sendo polares na discussão. Mas ao meu ver há muita euforia para julgar o outro lado. Ou muito Amor pelas tuas próprias causas, não sei.
Como dá pra ver, eu posso dizer sobre termos amigxs progressistas que não são fascistas assim como termos amigxs que sabem que o progresso não é esse conto de fadas que contam pra gente, né?
Então eu não posso me dar ao luxo de tombar para um lado só da coisa mesmo que um me motive mais...
acredito que tais oportunidades que o tempo me dá são para que eu veja que realmente sem temperança e sem cautela, tombamos para algum lado pois as polarizações estão aí e é uma linha muito tênue que separa a polarização do bom senso. Afinal, é muito conveniente termos a certeza de que nosso ponto de vista é o certo. Virarmos para o lado e chamarmos o outro de fascista ou o outro de vândalo sendo que nenhum, nem outro são. Há de se perder a intolerância nessa vida!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Dessas coisas

Ontem conversávamos sobre situações políticas, corrupção, partidos, instituições... E a conversa começou a tomar outras dimensões e nem sei onde ou como acabamos discutindo feio!
A mãe dele já estava de saída. Ia votar e encontrar as amigas. Ele saiu. Eu fui arrumar as coisas no quarto e aproveitei e escrevi recadinho mimoso no celular que ele havia esquecido no quarto. Ele saiu e nem falou onde ia. Sim, brigamos.

Depois, quando ele voltou dizendo que não tinha adiantado nada ter saído pois não encontrou nenhum dos mimos que sabe que iriam agradar meu dia, viu a mensagem no celular e ficou feliz também. Tomamos café em paz, banho e saímos para votar. Na porta eu pensei e disse:
_ Já pensou se tua mãe conversando com as amigas diz: O Dri e a Line brigaram. E elas endagam: Mas por que? Não sei. Alguma coisa a ver com a ONU!!! rsrsrsrsrs

Sim, temos discussões sérias e idiotas mas não perdemos a ternura! hahahaha

Pegamos o mesmo bus que Paulinho Barnabé. Ele lia um livro... alguma coisa sobre o feudalismo rs

Antes de descer um grosseirão atravessou nossa conversa porque mimimimimimimi ele tinha que descer no mesmo ponto que a gente. Uma urgêêêência completamente inexplicável.

Na escola onde ele vota, entendi porque é necessária taaaanta propaganda, taaaanta informação a respeito de câmeras e fotos e celulares e urna e voto: umas mulheres saiam da sessão eleitoral indignadas porque uma mesária não deixou a moça tirar uma foto do voto dela. Mandou que apagasse!!! É difícil! rsrsrs

Andamos pela Rebouças até a Paulista. Descemos a Augusta para comer um pão de queijo com mate com açaí. Entramos no Conjunto Nacional e pra minha surpresa mais linda, Lá estavam de volta: Sancho Pança, Dom Quixote e Rocinante! *__*

Voltamos pra casa. No caminho decidimos fazer um gnocchi. Chegamos em casa e cruzamos com vizinhos novos. Fomos cordiais. Fomos ao mercado comprar os ingredientes do gnocchi. Que virou uma porcaria - inda bem que o migo dele que chamamos pro rolê já tinha outro esquema, se não seria muita vergonha! rsrsrsrs Fizemos macarronada e foi o que teve pro dia.
Teve outra briga na hora de fazer o gnocch também. Descobrimos que umidade faz a massa desandar e eu chorando sobre a vasilha em que amassava as batatas poderia contribuir para que tudo ficasse muito horrível mesmo. Ficamos bem depois. Sempre ficamos. Assistimos ao filme de fim e domingo na Globo e depois fomos dormir.

Ele queria ver as crianças. Eu sabia que não daria tempo. Mas tudo bem. Temos tempo pra tudo. ^_^

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Análise do debate de ontem

Ontem, vergonhosamente, foi o único debate que eu assisti e achei bem xôxo.
Assim, estava óbvia a estratégia de Marta, Russomanno e Dória de detonarem Haddad para que ele não subisse nas pesquisas. Totaaal propaganda negativa e desconhecimento de muitos trabalhos do cara na cidade.

O foda é que não tratavam diretamente com Haddad, assim, podia destilar todo o veneno...
Raras vezes se preocuparam em falar com o eleitor sobre seus programas e propostas e quando enfrentavam Haddad ou Erundina, não tinham argumentos então a enrolação baseada na propaganda negativa do governo Haddad virou a peça-chave dos outros candidatos.

Achei feio no final do debate também aproveitarem pra malhar mais ainda o candidato. Somente Erundina lembrou que não estava no programa do Ratinho e que não precisava fazer barraco porque o lance ali deveria ser sério e para iluminar o eleitor... Falou sobre o partido, sobre si, sobre os candidatos a vereadores!!!! Nenhum deles fez uma menção sequer! Entendem como é diferente pensar o EU e o COLETIVO??? Já começa por aí.

Curiosamente Marta falou sobre pichações com Dória num momento em que eu olhava pra TV com uma interrogação imensa na cabeça, do tipo: por que raios vcs estão falando de pichações sendo que tem uma pá de coisa pra debater?!?!?!?!
E hoje, a estátua do Borba Gato e o Monumento As Bandeiras foram pintados - não dá pra dizer que foram pichados! Parece que crianças jogaram bexigas de tinta nas esculturas, vai! rsrsrs

As coisas querem ser coisas que na verdade não são

Não ando mais tretando nas internet. Percebi que, para os fascistas saírem das cavernas primeiro demos a eles os ouvidos. Ao percebermos os absurdos, denunciamos. E aí que o perigo pegou! Demos vozes! O grito de desespero que os denunciava se tornou canal para que fascistas de lá encontrassem fascistas de cá. É... McLuhan se torna fácil de entender ao vermos claramente como 'o meio se tornou mensagem' aqui! Ou não né rsrsrs

Enfim, percebi que dando menos audiência, eles histéricos de lá, gritam sozinhos até perderem a voz e se virem presos em suas cavernas novamente pois eles gostam do espetáculo e quando o público acaba, percebem que o grito já não tem força... maaaaas (sempre haverá o mas, se não não é paradigma né? rs) é importante demais ressaltar as falcatruas que manipulam as mentes destes que não conseguem ser flexíveis em suas ideias e assim não conseguem enxergar a flexibilidade das ideias do outro lado...

aborto existe
Não é porque você considera pecado, assassinato e crime que o aborto não acontece. Acontece sim! E acontece pra caramba! Mas sabe o que acontece além? A mina vai abortar e não tem ninguém que dê assistência a ela neste momento. As clínicas clandestinas estão interessadas na grana somente e então estão pouco se lixando se a grávida está lá desesperada, se ela consegue segurar a barra, se ela realmente quer abortar. Então vamos acabar com essa hipocrisia de falar que são pró-vida por não quererem descriminalizar o aborto. Sendo crime ou não o aborto acontece.

Hitler era a favor do aborto sim mas só para não-arianas
O aborto é uma forma de dar fim a vida, sim. Aceito essa realidade. Então, podemos considerar que para Hitler que queria soberania dos arianos, incentivar o aborto daqueles que ele abominava era uma forma de extermínio sim.

Descriminalizar o aborto não significa incentivar o aborto
Pera aí, não buga não! rsrsrs
É fácil de confundir ou não entender isso, eu acredito que sim. Mas se você analisar a descriminalização pelas estatísticas e pela forma como se luta para que seja, vai entender como a descriminalização NÃO incentiva o aborto.
É sabido que na clandestinidade o risco da mulher morrer ou ficar estéril é gigantesco. Então, na clandestinidade, quando se recorre ao aborto, pode exterminar a vida da mulher e do feto. Ou pode a mulher nunca mais engravidar, mesmo que o aborto seja uma solução para aquela situação desesperadora que ela não vê outra escolha, caminho e sem nenhuma assistência o faz. E assim, ela pode até futuramente querer ser mãe mas por ter optado pelo aborto, não consegue mais engravidar. Ou seja, vc pode estar matando 1, 2 vidas ou até matando 1 e condenando a outra vida também.
Já a descriminalização pretende dar assistência a mulher que deseja abortar para que veja a real vontade e necessidade deste ato. Não queremos com a descriminalização do aborto torná-lo menor ou banal, muito menos um ato comum. Queremos que mulheres tenham acompanhamento de médicxs, psicólogxs, assistentes sociais e saibam as consequências destes atos, que tenham autonomia e segurança de suas escolhas. Afinal, parceiros e familiares ricos e autoritários que obrigam a guria a abortar na clandestinidade existem. Gurias que abortam por desespero ou imaturidade também existem. Nós queremos analisar todas as possibilidades para sermos justas com essas pessoas.
Então se você dá a devida assistência, você mostra outras possibilidades e a pessoa passa a ver por outros pontos de vista. É por isso que a descriminalização do aborto, onde foi legalizado, contribuiu bastante para as desistências. Quem tenta manipular a informação acha absurdo isso mas nós sabemos que as gravidezes sem planejamento acontecem e que nem sempre se tem condições físicas, mentais, financeiras para lidar com a maternidade.
Descriminalizar o aborto não faz com que seja necessário ter pôster e informativo em todos os cantos do país. Não faz com que o aborto se torne uma prática anticoncepcional deboas. E também não cria uma sociedade com garotas abortivas. Nem todo mundo opta pelo aborto e até quem acha que ele é solução pode ter essa visão modificada e converter isso numa gravidez feliz.
Não há incentivo para que se aborte. Quando penso a descriminalização penso na não-crueldade com mulheres que não querem ser mães naquele momento e optam por abortar e morrem. Mulheres que não querem ser mães naquele momento e optam pelas medidas a la cytotec e não matam o feto, daí além de não terem maturidade para lidar com uma maternidade comum, ainda terão de lidar com a possibilidade de deficiências sérias causadas por ela ao feto, a criança. Eu penso que a criança que ainda nasce depois de uma tentativa de aborto tem grande possibilidade de sofrer simplesmente porque nasceu de uma mãe que não o queria. Pode não ter Amor, pode ser abandonada, pode não ter estrutura para se tornar uma pessoa boa, não ter referências de família, união... cair na criminalidade... Enfim, ser um alguém no mundo que se não é invisível, também não é visto com bons olhos e imagino que isso deve ser horrível de se sentir na pele.

Hoje é assim: mulheres que querem abortar, no mínimo tentarão (e terá que lidar com consequências pra uma vida inteira) abortar e abortarão. Talvez morrerão também, é arriscado.
Com a descriminalização será assim: Mulheres que querem abortar, com a legalização, talvez não abortarão pois com a assistência que receberão, muitas converterão em gravidezes, como ocorre nos países que legalizaram. Se consumarem o aborto, não será arriscado e possivelmente, ela engravidará depois.
Hoje é assim: Mulheres que não pensam em abortar, certamente que não abortarão.
Com a descriminalização será assim: Mulheres que não pensam em abortar, certamente que não abortarão.

NÃO HÁ INCENTIVO.

Então é um erro gravíssimo e atestado de ignorância dizer que quem quer a descriminalização do aborto o está incentivando ou está de braços dados com Hitler!
Quem quer a descriminalização não está pensando em genocídio e sim em condições humanas para mulher e bebê - se este vir a nascer. Queremos mesmo é que nasça, se não for para sofrer por conta dos desprazeres dessa gravidez. E queremos saúde a essa mulher que pode, no futuro, pensar em ter filhos, mesmo que tenha abortado antes, com segurança, assistência e profissionalismo.
Não estamos incentivando a prática de um crime. Não estamos incentivando assassinatos - queremos que eles parem de acontecer, isso sim!

E acho muitíssimo curioso e hipócrita ver que os pró-vida que chamam pessoas que querem a descriminalização de assassinas, de terroristas, nazistas e afins, que são estes que não dão a mínima pra assistência, para o cuidado, para o futuro de um jovem que nasce completamente sem estrutura, talvez odiado desde o dia em que se soube que ele estava lá na barriga da moça! Quem escolhe por esta crença acredita que o jovem é responsável pelos seus atos e não pensa na estrutura que este jovem teve para se tornar um criminoso e quer matar o bandido, caso ele vire um bandido. Então, não querem matar uma vida mas querem matar uma vida! =S
Sei lá