Porque Something

Something é uma das melhores dos Beatles. E é uma das melhores músicas do melhor dos Beatles, o George. E Something está presente num dos ...

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Olhando pra trás

Sobre o BV

O primeiro beijo de Sam foi horrível. Nossa heroína não fazia ideia do que era beijar, achou aquilo meio nojento de trocar saliva e digamos, preferiu trocar ar. Foi horrível, fiasco puro!
Agora pensando, é compreensível do cara não querer nada com ela depois disso. Até porque o cara não tava apaixonandinho por ela como ela estava por ele. E essa garota sofreu bicas pelo desprezo deste cara. Isso é embaraçoso mas é a real. Na época ela não entendeu. Hoje, mulher crescida, podemos ver que... tá, o cara estava certo. Ela demonizou o cara porque romantizou demais – malditas novelas das 6!

E este primeiro beijo veio num momento de decadência de Sam.
Entre apaixonites agudas, as vezes correspondidas, as vezes não mas nenhuma delas levada a potência do ‘tirar o bv’ – Sam perdeu o bv com um guri do colegial – ela estava na oitava série, muitas gurias já tinha perdido o bv. Na real, Sam e suas amigas eram praticamente as últimas a perder o bv. Nada magnífico.
Ela estava apaixonada pelas referências que um boy migo dava sobre um cara que era seu amigo e que ia chegar de sei lá onde. Na boca do migo, o cara era o máximo!
No carnaval o cara ia chegar. Quando ele chegou, a paixonite bateu forte em Sam. E ela caiu de amores por ele. Esqueceu todos os morzinhos da sua idade e projetou tudo sobre esse cara.

Bêbada como boa Sam é em qualquer evento festivo, ela avistou o boy deitado na calçada da praça – o carnaval rolava solto na praça e como sempre, mirou no cara e foi!
Conversaram sobre várias coisas. Desde vestibular a bandas de rock. E daí rolou... aquilo!
Não dá pra chamar aquilo de beijo. Rsrsrs
E ela nunca falou a respeito disso com nenhuma amiga.

No mesmo momento que ela teve coragem de perder o bv, A. foi conversar com ela e disse q tava a fim de outro guri da turma e que parece que tava rolando. Se Sam achava que rolava.
Sam sempre quis que rolasse algo legal com caras legais pras suas amigas então deu o maior apoio. E no mesmo dia que Sam perdeu o bv, A. também perdeu.


Acontece que não dá nem pra analisar o boy de Sam porque ela realmente estragou qualquer possibilidade de lance. Agora, o boy de A. foi um boy assim bem lixo, aparentemente.

Resumidamente, o boy da A. ficou com ela, falou que gostou e tudo e tal... E depois fez como se nem a conhecesse e depois ainda ficou com outra guria na cara dela e correu atrás dessa guria que nem mesmo existia! Foi uma afronta! A. existia e era lindona, interessante, tudo de bom. Surge uma outra guria qualquer e de repente vira o centro das atenções e ninguém nem sabe de onde veio?

Dois Mundos

Já começamos com algumas apresentações. Já conhecemos a segunda casa de Sam: o clube e agora vamos acompanhá-la num dia na escola.

Embora pareça que Sam é um poço de vaidade, na verdade ela é uma bela mistura do ser mais desleixado do mundo com o ser mais vaidoso da face da Terra.
Até a sexta série, todos estudam de tarde no colégio. A partir da sétima, os melhores alunos da sétima estudam de manhã: são só duas salas. E da oitava em diante, se estuda ou de manhã ou de noite.

Sam faz parte dessa nata inteligente que entrou na sétima série de manhã.
Ela morava muito perto da escola. Então, se levantava na hora que o sinal tocava sabendo da tolerância de 10min do portão aberto após o sinal.
Se levantava correndo, trocava de roupa, escovava os dentes – nunca penteava o cabelo – pegava o material e saía. As vezes coincidia de sair e encontrar com algum amigo indo de bike e pegava carona.

Na hora do recreio, ela e as amigas se sentavam perto da secretaria e conversavam basicamente sobre revistas TodaTeen, Capricho, Videoclipes, novelas, garotos, horóscopo, cantavam letras de músicas em inglês que alguém descolava.

Havia rumores de que uma das escolas particulares da cidade iria fechar. Um golpe que deram nos pais e as escolas públicas ou outras particulares teriam que se virar pra matricular fora do período habitual, centenas de alunos de diversas séries. Já era final de ano. Sam nem acreditava nessa possibilidade e nem estava muito entusiasmada pois seus amigos das escolas particulares, não estudavam nesta escola.

Na sétima série, a vida era assim. Na escola elas não eram tão importantes pois eram os bebês do horário da manhã. A partir da oitava as coisas mudariam pra melhor.


De vez em quando havia algo interessante como uma feira do verde, uma semana cultural. Sam sempre participava de alguma coisa nesses eventos mas não gostava de ser destaque. Gostava de ficar na parte de produção mesmo. A feira do verde era mais voltada para os alunos até a sétima/oitava série. A semana cultural era mais divertida mas as atividades eram voltadas, principalmente para a turma do colegial. Nessa época, o colegial era quem brilhava no período da manhã e as garotas sonhavam ser as novas estrelas do colégio.

BEM VINDO AO CLUBE

No domingo de manhã é hora de apagar todos os seus pecados na missa.
Sam e uma amiga sempre preferem a missa de manhã. É o horário que a missa está mais vazia, não tem desvios de olhares para paquerar garotos ou competir com outras garotas e ainda ficam bem na fita com as pessoas mais velhas que acham ‘muito bonitinho’ duas mocinhas se dedicarem a acordar cedo e ir para missa – diferente daquelas garotas que se empetecam toda para ir a missa de noite, horário que bomba de jovenzinhos e jovenzinhas que usam a missa para paquerar e como ponte para um passeio na praça depois da missa.
Sam e sua amiga até levam a sério essa coisa de missa. E é bom que depois da missa de manhã tem o dia todo para aproveitar. Voltam pra casa, almoçam com a família e como todo jovem bem colocado socialmente na cidade, passam o resto do dia no clube da cidade.

Em casa, Sam cumpre bem os contratos sociais – ajuda no almoço, arrumação da casa, come bem mas não é tão participativa das fofocas e comparações que são servidas à mesa. Na hora do almoço, Sam está focada mesmo em qual biquíni colocar, qual roupa usar, se vai de bike ou a pé para o clube.

Arruma suas coisas e vai. Ao chegar no clube se depara com gurias que são apaixonadas pelo seu melhor amigo – coitadinhas nunca desconfiarão que o cara é gay apesar de pegar geral – as gurias que são absurdamente implicantes e competitivas acham que o problema de não ficarem com o boy é Sam . Muita gente acha que, eles tem um lance escondido, eles tem um lance, ela escolha as minas que ele fica. Mas a real é que Sam não tem poder nenhum sobre isso e nunca teve nenhum lance com o boy – apesar de bancar um lance sempre que alguém duvida da sexualidade do garoto.

Chegaram cedo no clube. Se trocam e vão para a piscina. Algumas gurias gostam de exibir seus corpos, sensualizando, tomando sol. Sam é inquieta então mesmo que quisesse ficar ali, torrando no sol, não conseguiria então se jogam na piscina.
Sam tem que ficar esperta quando os guris não estão no clube e as gurias estão pois é um risco de morte! Ela já passou por tentativas de afogamento, humilhação, tombos, boladas, segredos expostos e até ameaças de surras – as garotas são pro crime e não tem nada a perder, definitivamente! Elas sabem que Sam está no topo da cadeia dominante então, elas sabem que do chão não passa e não tem nada a perder absolutamente!

O bom para Sam é que ela é bem quista no clube também. Ela conversa com os funcionários, as vezes ajuda com algumas tarefas e nisso ela também se sente segura quanto a uma surra das outras garotas.

Sam sempre olha para o portão de entrada do clube para ver se algum salvador chega. Alguns boys não gostam de entrar nas disputas das garotas e são a mesma coisa de nada para Sam. Outros gostam de ver o circo pegar fogo: meninas de biquíni brigando? Traga a pipoca!
Então Sam tenta manter distância das garotas e se coloca bem a vista de qualquer testemunha ocular de um crime – se as gurias estão na base da pirâmide social, ao tentar derrubar Sam puxando o tapete, deixando isso bem visível significa perder qualquer chance de subir algum degrau.

Ela avista um boy entrando no clube mas não consegue ver quem é. Ele faz o contorno e se aproxima da área da piscina. Ninguém muito significante pra vida dela. Na verdade, ela preferia que ele não existisse pois sempre que tem a chance, ele se declara um verdadeiro boy lixo porém apaixonado por ela. Um encosto. Esse é o P.

_ Oi Sam! Oi meninas!
_ Oi, P. – e dá um mergulho pra deixar as amigas conversando com P.
_ Já entro aí! – e vai para o vestiário se trocar.
Sam revira os olhos. Dia perfeito: as gurias prontas para atacá-la a qualquer momento e P. pronto pra agarrá-la forjando um esbarrão, um empurrão na fila do toboágua pra cair em cima dela e coisas do tipo. – Totalmente perdido esse dia se ninguém chegar.
As amigas de Sam adoram P. Não entendem porque Sam não gosta de P. Na verdade, nem Sam sabe ao certo porque não gosta de P. mas não gosta. E ele insiste!

P. é um garoto super sociável. Também faz parte da elite. Toca violão, canta, é super educado, bem quisto entre todas as garotas, os mais velhos, os guris. Bronzeado lindo, sorriso encantador, de covinhas nas duas bochechas. Um físico de dar inveja a outros guris... E cai de amores por Sam. Eles estudam em escolas diferentes: ela é da pública e ele da particular. É bom aluno, não bebe, super saudável e certinho – talvez seja por isso que Sam não goste dele. Sam está numa fase de descobertas, liberdade e amores pelos erradinhos mesmo.

Ele retorna, cumprimenta todas as gurias – as amigas de Sam e as inimigas de Sam.
De um jeito completamente absurdo, as gurias que odeiam Sam por conta de R. (amigo gay de Sam) se unem com as que odeiam Sam por conta de P. Ao invés de bolarem planos para deixar Sam com R. e deixar P. livre pra elas ou o contrário!

P: _ E aí, vcs já estão de férias?
A: _ Já sim. A gente sempre fecha no 3º semestre pra poder aproveitar o resto.
C: _ Mas é bom fechar o 4º com nota alta também.

A. e C. são irmãs gêmeas. São CDF’s. São lindas. Sam as tem como irmãs. Elas se adoram. Vivem juntas, pra baixo e pra cima. Sam não faz a linha CDF mas se dá bem nos estudos também. Nada como as C. e A. que sempre fecham no 3º semestre com nota máxima. Sam fecha no 3º semestre aos trancos e barrancos mesmo. A. e C. não são garotas que costumam passar cola. S. já foi ameaçada várias vezes por passar e pedir cola. Normalmente mais passa do que pede. C. e A. são filhas de um professor bem quisto na sociedade, então muitos professores puxam saco e protegem as garotas. Como S. é queridinha do pai das garotas e das garotas, ela também se garante com este pacote de bondades.
Sam adora divertir essas garotas e faz de tudo para que C. e A. fiquem com os guris que se apaixonam. As gurias se aproveitam dessa facilidade que Sam tem para socializar e acabam pegando beira nas amizades, desenvolvendo essas paqueras e assim tudo fica bem. Tudo começa com Sam mas as gurias desenvolvem bem o resto.

Depois de muitas investidas fracassadas de P., Sam avista R. chegando no clube para sua salvação! Avisa as gurias que vai sair da piscina para encontrá-lo e saber se os outros guris também estão chegando.

Sam:      _ Mas que droga, isso é hora de chegar? Eu to aturando o P. na piscina há séculos!
R.:          _ Almoço de família, vc sabe bem como é com o pessoal lá de casa. Fomos pra minha avó. Vc podia almoçar qualquer domingo desses lá na minha avó né? Ela ia gostar de te conhecer.
Sam:      _ Tá de brincadeira né? As piranhas ali da tua amiga quase me devoraram na piscina. Olha lá elas olhando pra gente! – e dá tchauzinho para as inimigas que fecham a cara e fingem que não olharam. Sim! Elas fecham a cara, dando na cara que olharam e fingem que não olharam para Sam não se sentir importante.
Ela e R. riem da atuação das garotas e vão tomar um refrigerante. E se sentam perto da piscina.
Sam:      _ Vc vai entrar na piscina?
R.:          _Não sei ainda. A água tá boa?
Sam:      _ Até tá. Fala se vc vai entrar que se não for, eu já vou trocar de roupa que não to a fim de ficar de biquíni não.
R.:          _ Vai lá se trocar então, se eu entrar é mais tarde. Quando os guris chegarem.
Sam:      _ Eles estão vindo?
R.:          _ Mais tarde.
Sam:      _ Ok. Vou na piscina avisar as gurias.

Sam deixa R. sentado e vai até a área da piscina, de nariz empinado – ela gosta de implicar as outras garotas pra mostrar a exclusividade que tem com R. – e chama as amigas:
Sam:      _ Gente, os guris vem mais tarde. Eu to descendo pra me trocar porque o R. não quer entrar na piscina e eu não quero mais nadar (olhando pro P. pra mostrar o motivo), depois, quando os guris chegarem, a gente entra de novo.
C. e A. saem da piscina também e Sam volta a se sentar ao lado de R.
Quando as garotas saem do vestiário vão todas para o gramado. Sam está indo em direção a lata de lixo para jogar sua latinha quando P., que está saindo da piscina a chama:

P.:          _ Sam!
Sam para, respira, joga a latinha no lixo e se volta com um sorrisinho para P.
P.:          _ Vc sempre fica ao redor do R. mas eu sei que vcs nunca ficaram. Vcs nunca vão ficar. Vc sabe o tipo de garota que ele gosta. N sei pq vc fica atrás dele e aceita isso tudo. Ele te usa. Vc podia olhar para os outros guris q realmente gostam de vc e querem ficar com vc. Ficar só ficar não. Namorariam c/ vc.
Sam:      _ P. valeu pela consideração, pelo conselho (rindo) mas eu e R. somos só amigos e eu não tenho a menor pretensão de ficar com ele. Ele só me faz companhia, me entende, a gente ri junto, troca segredos e só.
P.:          _ Não é só isso. Vc gosta dele. Mas ele só te pisa. E vc vive se rastejando atrás dele.
Daí que o garoto usou a palavra ‘rastejando’ e Sam não ouviu mais nada. Onde na história da humanidade Sam se rastejaria por alguém??? Ela sorri não fala mais nada e vai em direção as amigas.
Chegando lá as garotas com sorrisinhos e um HUUUUUUUMMMM – Sam não tem mais paciência para este dia. R. que sabe q a vida tá um saco pra ela ri da situação.
L. chega com a prima dela no clube. Por algum motivo insano os pais de L. preferem que ela vá ao clube com a prima do que com as amigas da idade dela. A prima é um pouco mais velha e usa L. para ir ao clube se fazendo de santa. Chega no clube, ela logo vai embora com algum guri de carro e L. fica com as amigas.
L. foi uma transformação em forma de gente! Antes de andar com Sam ela ia pra igreja, festas de família, escola e só. Com a amizade com Sam passou a frequentar o clube que a mãe pagava e ela nem ia, passou a visitar as amigas e sair a noite. Ela era bem quieta e começou a se soltar. Começou a beber. Era linda. Começou a se descobrir linda. Tinha vergonha de gostar das coisas como boybands, falar que fulano ou ciclano eram bonitos, de comentar sobre Malhação – tinha vergonha dessas futilidades de adolescentes – e ao andar com as garotas se soltou bastante desses pudores todos.
L.:           _Vocês não vão nadar? Tá tão quente!
C.:          _ A gente já nadou. A Sam quis sair porque o R. não queria entrar e a gente saiu também.
L.:           _ Sam, vc viu q o P. tá aí?
Sam:      _ Não só vi como tive que aturar sermão dele também. Acredita que ele veio me falar pra parar de querer qualquer coisa com o R.? Q o R. me usa e não vai ficar comigo nunca!
R. que está sentado na grama ao lado de Sam que se levantou para cumprimentar L. fala:
R.:          _ Mas vc é a mina q eu mais fico! Rsrsrsrs – agarra Sam que cai em seu colo morrendo de rir.
Nisso P. passa por eles e R. grita:
R.:          _ Ela que não quer ficar comigo, eu agarro ela a força mas ela ri da minha cara!
P. fica puto e sai de perto. Em seguida passam as inimigas de Sam e quase sobem pelas paredes ao se deparar com a cena: Sam no colo de R. e ele dizendo que quer ficar com ela mas ela não.
Sam ri mais ainda. As amigas morrem de rir também. L. fica preocupada com a segurança da amiga perante as inimigas.
As inimigas entram no ginásio e saem com uma bola de vôlei.

J¹ é uma das inimigas clássicas de Sam. Elas sempre estudaram juntas. Eram amigas. Assim que Sam chegou na cidade, andavam juntas: Sam, J. e J¹. Daí Sam conheceu C. e A. por intermédio de J. e passaram a andar juntas. J e J¹ brigaram e assim J pediu que as amigas escolhessem andar com ela ou J¹. J¹ foi expulsa da turma. Pouco tempo depois, os interesses de J pelos garotos parecem ter virado um vício e aí não tinham mais outro assunto e tudo ficou muito boring. Nisso, Sam apresentou J a sua prima, JR. e elas viraram BFF’s. Aí elas passaram a andar juntas e Sam ficou só com C. e A. até aparecer L. que integrou o quarteto fantástico.
Sam acha que, por terem escolhido J a ela, J¹ tenha ficado com raiva e depois ela ainda virou amiga de uma garota completamente obcecada pelo R. que chegou a fazer ameaças constantes a Sam.

Ao ver as garotas com a bola, Sam já imaginou que seria armação mas não fazia ideia do que as garotas fariam. Se levantou do colo de R. dizendo: Lá vem...
Não demorou muito, elas pediram licença para jogar bola onde o pessoal descansava por ser o único lugar com sombra.

Sam peitou as garotas:
Sam:      _ Meu, tem o ginásio, a quadra de vôlei, a de basquete, o campo de futebol, trocentos outros lugares pra vcs jogarem bola e vcs querem jogar justamente onde já tem gente? Vcs n tem vergonha?
Então R. viu que as garotas ficaram furiosas e se precipitou:
R.:          _ Deixa, deixa, deixa... Sam. Vamos sentar no banco ali do lado que também tem sombra. Deixa as meninas jogarem bola.
Se levantaram e foram para o banco quase ao lado de onde estavam. Não demorou muito e Sam leva uma bolada com força nas costas. As inimigas caem na gargalhada. As amigas de Sam riem e R. também ri. Sam está possessa!
J¹.:          (rindo)_ Ai, desculpa aí, Sam!
Sam.:    _ Isso é o que vcs conseguem fazer pra chamar atenção do R.? É sério q vcs acham q assim ele vai gostar de vcs? Melhorem! Vamos voltar pra piscina, meninas. Lá tá melhor frequentado do que aqui.
R. ainda rindo olha pras inimigas, balança a cabeça, abraça Sam e seguem pra piscina.
R.:          _ Doeu? Te machucou?
Uma das inimigas, a que está com a bola, dá um soco na bola e a joga longe, de raiva. Sam wins mais uma vez! Rsrsrs

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Protagonismos

A noite está deliciosamente quente! Tudo que ela quer é dançar, paquerar, tomar várias cervejas geladas, rir bastante e não se esquecer de nada de mais uma noite memorável!

As garotas estão na balada e Sam como um lince já conseguiu visualizar todos os boys interessantes do rolê.
A balada promete! Open bar de cerveja e a mãe de Sam jura que elas vão nessas festas 'open' só pra paquerar os guris que costumam colar em peso em festas open maaaas Sam já é pró na arte de levantamento de copo! - Ela bebe mais que as outras gurias mas não fica bodiada.

As gurias seguem pra pista e dançam, se acabam de dançar, na hora do descanso que é na real, a hora do bote, elas dão aquela passada no toilet pra se recompor, sentam numa mesa no segundo ambiente do rolê - aquele lance acústico-mpb e Sam ainda ligada. Quem a vê pode jurar que aquilo é bala! Mas não. Sam é louca, solta e articulada mesmo.

Enquanto as gurias ficam sentadas, comportadas como damas a la Jane Austen aguardando os cavalheiros a tirarem pra dançar ou conversar, Sam vai buscar outra cerveja no bar.
Chega junto do balcão - Pega mais uma pra mim, por favor? Gelada!
O guri do bar enfia o braço no tonel em que as latinhas estão mergulhadas e busca uma no fundo pra Sam. Seca a latinha, pega um guardanapo e entrega pra ela.
Ela não perde tempo com garotos no bar. Ao invés de se entregar para o olhar sexy que o guri lança pra ela e notar a gentileza que ele fez exclusivamente pra ela, Sam pega a latinha, ri, agradece e se vira. Dá de cara com um dos guris-alvo do rolê.
_ Hey!
_ Dona Samantha! Já começou? - apontando para a latinha na mão da garota.
_ Começou? Vc q chegou tarde hoje, já comecei faz tempo! As gurias estão ali, vamos pra lá.
_ Vou chamar os moleques e já colo lá.
_ Ok.
Nisso ela se vira para a mesa das garotas - nenhum cavalheiro teve a coragem de tirá-las dali - na verdade, já era quase um ritual: tudo começa com a Sam.
As garotas com olhos arregalados, sorriso no rosto comemoram o 'social' que Sam fez.
Ela vai até as garotas, senta com elas e só aí que sente o cansaço. As garotas bebem bem menos que ela.
Os garotos chegam, todos se cumprimentam, sentam - claro que cada uma das garotas tem seu pretendente e claro que cada um dos garotos também tem sua pretendente e claro que essa combinação não é tão perfeita como poderia ser assim rsrsrsrs

O cansaço está na cara de Sam e um dos garotos senta ao seu lado puxa conversa:
_ Cansada?
Ela só olha pra ele, quase se debruçando sobre a mesa, fechando os olhos, ri e diz que sim mas é só questão de se recompor. Que a festa está um pouco chata e não está tocando suas músicas.

Eis que o mocinho que toca mpb no violão a surpreende com uma das suas músicas favoritas - nessa hora praticamente a balada acaba porque tudo o que ela NÃO precisava era de um som calminho pra dar aquele sono bom depois de várias latas de cerveja na cabeça. O garoto tenta animá-la mas ela já está praticamente entregue. A música acaba, dá pra ouvir o som da pista de dança. Como se tivesse recarregado instantaneamente a bateria ela levanta: Minha música! Vamos! - Puxa uma das suas amigas da mesa e todos vão pra pista terminar de se acabar de dançar.

No meio da pista, um dos garotos mais velhos que Sam acha gato se aproxima pra conversar, ela troca uma ideia rápida e dá a hora da Cinderella voltar pra casa.

Chegando em casa, a mãe de Sam dorme e nem vê que a filha exala alcool dos poros.
Sam troca de roupa, se joga na cama e dorme pesado!

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Odara

Eu comecei aos poucos. Hoje, cerca de 70% dos produtos que uso para pele e cabelos são #crueltyfree, livre de transgênicos ou de ingredientes de origem animal.

Pensei a respeito e acho que o lance vegan sem comer carne é algo que eu não consigo e, tirando a parte da industrialização não é algo que me pese muito na consciência...
Agora, o lance de teste em animais, de judiar do bicho simplesmente para o nosso bel-prazer, nossa segurança - aí acho foda! Porque além da industrialização é o trato do bicho como descartável, faz sofrer e não liga com a vida ali, usada e desprezada, carregando todo sofrimento da intervenção humana. Ali, na indústria cosmética, farmacêutica e afins... é diferente da alimentação. Pelo menos na minha cabeça é.

Então estou apostando muito em óleos essenciais, vegetais, argilas, cremes, shampoos e sabonetes não testados em animais e por aí vai.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Delírios

Primeiro dia depois que o namorado saiu de casa.
Despertador toca e ela vai trabalhar. Olha na cama e só está ela e os gatos.
Gostaria de dizer que não mas dormiu maravilhosamente bem tendo a cama só para ela e seus gatos.

Se arruma para trabalhar. Passa o dia todo pensando no que vai fazer das suas férias de final de ano - o namorado tirou um período longo de férias e foi para uma viagem longa. Se ela o acompanhasse ou fosse ao seu encontro em suas férias coletivas, seria o tempo de pegar o ônibus pra ir, dar um abraço nele e pegar o ônibus de volta para casa. Perderia Natal, Ano Novo e as férias coletivas na estrada. Inviável.

Mas ela queria sair. Ela não queria estar na cidade, sozinha, tomando um vinho e ouvindo uma playlist qualquer... Escutando a alegria e embriaguez dos outros, com fogos de artifício e coisa e tal...

Chegou cansada em casa. Falou com um amigo do Rio. Um amigo que acompanha suas histórias há tempos! E ele a convidou para passar o final de ano em sua casa.
Sua mãe pede para que ela vá para o interior passar Natal e Ano Novo por lá mas como ela não se dá muito bem com o irmão, não é a melhor opção para essa data pois ele estará lá.
Um amigo a convida para passar as festividades com sua família, como já aconteceu no passado...
Sua prima convida para a ceia na casa dela... Mas nada, nenhum dos convites a inspira.

Como o combinado com o namorado, eles se definem como 'solteiros' nas redes sociais. Ela pediu isso a ele, ele concordou. Mas ela já não sabe se isso é tão ok quanto ela esperava q fosse. De repente bateu aquela insegurança... Ela se odiou por um tempo, por ter proposto tal equívoco. Mas não queria bagunçar mais ainda a cabeça do guri, pedindo pra desfazer o que ela havia pedido pra ser feito.

Ele mandou mensagem, se tratam normalmente. Ela quer deixar ele seguro de que, apesar de estar solteira, apesar de ter pedido um tempo, não quer, necessariamente, tocar o puteiro ou se desfazer do namoro.Não é isso. É apenas um alinhamento da vida mesmo. Ela acha que ele não entende bem o que ela quer. E ela nem o culpa pois nem ela sabe bem o que quer.

Sonho De Uma Noite De Verão

Chega final do ano e ela sempre fica meio perdida...
Não gosta dessas confraternizações, dessas reuniões de família em que se mede, desde o tamanho do vestido aos fracassos e sucessos de cada um. Hora de botar o reparo em dia! Fazer o balanço para as fofocas futuras... não. Ela sempre foi avessa. E nunca gostou também de ter que abraçar um monte de gente e desejar alguma coisa da boca pra fora, simplesmente como 'recitar' a tabuada numa prova oral.

Ela nunca gostou da relação obrigaçãoxsatisfação. Ela gosta de fazer de vontade própria as coisas que dão prazer e satisfazem. Não por obrigação. Não gosta de ter a obrigação de cumprimentar a pessoa no seu aniversário ou natal ou ano novo ou páscoa ou o que quer que seja. Ela gosta de se sentir a vontade para ir dar um abraço pessoalmente, mostrar para aquela pessoa que ela é especial ou coisa assim. Desejar Feliz Ano Novo para quem só quis te fuder a vida toda parece meio nada a ver - só pra cumprir a obrigação ali da reunião familiar... Puta saco!
Cumprimentar alguém por uma data especial ou por um sucesso tem que ser por prazer e não por obrigação.
Iniciar a leitura de um livro, por mais interessante que ele seja, tem que ser por prazer!
Como é triste perder o prazer da coisa por conta de uma obrigação! - Este é o pensamento da nossa garota.

Ela então resolve pedir um tempo para o namorado. Pra colocar a cabeça no lugar, pra ele colocar a cabeça no lugar. Ela tem medo de cair naquela de Los Hermanos: "Se a gente já não sabe mais rir um do outro,meu bem... então o que resta é chorar"
Ela prefere apostar na continuidade: "e, talvez... se tem que durar vem renascido o Amor"

Foi difícil mas ela precisa mesmo colocar a cabeça no lugar, apostar suas últimas fichas e desistir de tentar, tentando uma última vez saber se o Universo quer A ou quer B.

Então ele resolve tirar férias e viajar, espairecer, esquecer, distanciar e ela como tem que trabalhar, aproveitou este momento para saber o que é verdade nessa vida.

E assim vai começar a a história de um verão qualquer.