Porque Something

Something é uma das melhores dos Beatles. E é uma das melhores músicas do melhor dos Beatles, o George. E Something está presente num dos ...

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Estruturando um parecer...

Nesta semana eu questionei meu marido sobre sua opinião acerca dos rolezinhos (invasão de shopping's por uma molecada para fazer baile funk, uma tendência acontecendo aqui em SP, no final deste ano de 2013) e ele disse que achava um desrespeito e tal…

Saíram algumas matérias a respeito, acho que até compartilhei aqui a do blog do Sakamoto, defendendo os rolêzinhos.
Ainda não tenho uma opinião a respeito.

Não sei se já comentei neste blog que eu gosto de saber a opinião dos outros mas não tenho saco para debater opinião. Consigo ver um avanço nas discussões quando acontece mas normalmente, discussões pequenas, debates pequenos sobre opiniões diversas, ao meu ver, são exibições de egos falantes.

Para mim, esse lance dos rolêzinhos é bem complexo. A questão não está na defesa ou condenação mas no entendimento disso. Por isso ainda não tenho uma opinião. Não consegui ainda entender com clareza.

Vamos a montagem do meu pensamento (até onde sei):

 Existem dois tipos de funk - Proibidão e Ostentação.

Vamos então mirar no Funk Ostentação que é uma tendência advinda da perifieria paulistana mesmo, sob influência do funk carioca - Rio, berço do funk proibidão. Pois os tais rolêzinhos têm acontecido em SP e bastante tem a ver com o funk ostentação.

As letras do funk ostentação contém elementos adquiridos pela Classe A, como roupas e acessórios de marcas caríssimas, se fala muito em modelos chiquérrimos de carros, bebidas finas e sempre com um grau de exagero no consumo disso tudo. Para seus ouvintes, normalmente, jovens de baixa classe econômica, acredito que o funk ostentação contenha aquele 'elemento narcotizante' que os folhetins da época romântica literária continham também. De aproximar, mesmo que de forma ilusória, seus consumidores do produto de desejo, gerando satisfação. 

Nas letras do tal funk ostentação, eles falam muito de festas caras, camarotes, áreas vip's… Algo completamente longe da realidade dos ouvintes (de modo geral) e o funk ostentação, acredito que, ainda não encontrou seu lugar nas rádios badaladas porém, é notável a quantidade de fãs que estes cantores de funk ostentação acumulam.

Diferente do 'proibidão' que pode acontecer em qualquer gueto, as escondidas, na clandestinidade, as letras do funk ostentação já negam que este acontece em qualquer canto. A periferia não é proporcional as festas narradas nas letras: fala-se muito de festas caras, camarotes, área vip… 

O tal do funk ostentação não é ouvido nem mesmo pelas grandes rádios, acredito. Em contrapartida, o número de fãs desse 'movimento' tem aumentado.

Funk é batida para dançar! Funk Ostentação precisa ser apreciado 'ostentando'! Essa molecada não tem espaço, o público aumentando, chega época de férias e alguém tem uma ideia 'genial' de apropriar-se do espaço público de ostentação: Shopping, claro!

Quem disse que não se pode ter evento em shopping? Onde mais a gurizada vai filmar, fotografar, postar no instagram e facebook, posando de 'gatão' que não num shopping center???

Essa gurizada é interligada, já nasceu teclando! Lógico que conseguem juntar uma turma boa para uma festa, um rolê no shopping, 'ostentando'!

Bom, estes são os elementos que tenho que me fazem, meio que, entender o porquê de elegerem o shopping, quem invadiu este espaço e como. Ok.

Agora vamos aos problemas agregados:

Manifestação pacífica nonecsiste! Ainda mais se estamos falando de Brasil, terrinha do povo que chama  medo de 'jeitinho', se fazendo de esperto (já escrevi sobre isso), onde sempre vai ter um espírito de porco que vai ao local com outras intenções: saquear, furtar, vandalizar, quebrar, causar…
Então, estão levando a insegurança para dentro do shopping e, por mais que assessorias dos shoppings vão as mídias dizerem que nada foi roubado, que nenhum tumulto aconteceu, a gente sabe que não é verdade pois, aceitar e admitir estas ocorrências faz com que diminua a frequência de 'compradores de bem' dentro destes estabelecimentos. Certamente, as assessorias, administradores, lojistas estão muito mais preocupados com o dinheiro que você gasta lá dentro do que com a sua integridade moral.

Esse tipo de 'evento' que não é previsto pelas administradoras dos shopping's center's acaba levando um número grande pessoas ao shopping, o que dificulta a saída das pessoas, caso haja tumulto ou algum outro acidente que sequer esteja envolvido com a movimentação do grupo do rolêzinho. Sem contar que pegar despreparado o contingente de seguranças e socorristas é grave, caso um acidente aconteça.

Agora um pormenor que deve também ser colocado é o da questão dos compradores reais que, optam pelo shopping exatamente pelo conforto e segurança. Lotar um centro de compras de pessoas que não vão para comprar, atrapalha quem está lá para isto.

Ok.

Agora, o que me é mais preocupante sobre tudo isso:

A juventude está ociosa e está reivindicando 'um lugar para chamar de seu'.
Se faz necessário uma modernização no sistema político para lazer e recreação que realmente seja atrativa aos jovens. Não digo que o Governo tem agora que promover baile funk, mas essa geração precisa ser ouvida. São jovens que precisam se encontrar, que precisam entender de direitos e liberdades, de limites e respeito. Que precisa se organizar para algo prático, que gere frutos. 
É muita energia desperdiçada. São muitas vozes que são ignoradas.


Nossas políticas para a juventude estão completamente atrasadas e estamos falando de uma geração imediatista! Uma geração ultra-rápida, conectada, em rede, desesperada, comunicativa e que não consegue dialogar com seus pais, seus professores, seu governo, etc.

Estou muito preocupada com o futuro destes jovens. Muito mais do que com a qualificação de vandalismo ou não, de um ato que já foi. E querendo ou não, enquanto não houver diálogo, não vai parar por aí. 

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