Ela acorda cedo, morrendo de sono. Está no piloto automático. Odeia essa condição de ter que acordar cedo para trabalhar em cima de algo que ela renderia muito mais se começasse a fazer mais tarde e com a cabeça mais desanuviada. De manhã, mexer com números e contas e tabelas não é tão difícil pois é bem mecânico - condição que ela também odeia para si - mas exige concentração, o que lhe falta aos montes de manhã.
Ela segue a rotina. Escova dente, passa desodorante, se olha no espelho, despreza sua imagem, repara as olheiras, vai escolher a roupa que sempre é a que está mais fácil, que ela já visualizou antes mesmo de ir dormir e, como sempre, as 7h da manhã ela precisa se decidir se permanece nessa atmosfera mecânica, robótica, ou se prioriza o lado humano do ser.
Ela sabe que, se pega as coisas e sai as 7h da manhã, dá tempo de pegar um pedaço daquele creamcheesse na geladeira e não chega atrasada no trabalho. Ela sabe que se faz tudo até as 7h não precisa correr. Mas ela sabe que se morre aos poucos quando não se demonstra o afeto. Quando não se vive e se sente grata pela vida e tudo de bom que acontece, que tem, que mantém.
Então, as 7h da manhã, ela pára.
As 7h ela resolve o que é prioritário e não se importa com os problemas que virão a seguir.
As 7h ela o abraça, acaricia, admira, beija! Mesmo ele dormindo. Mesmo que ele não saiba, não faça a menor ideia do quanto implicaria no dia-a-dia dela, sem atrasos, sem olhares de reprovação do chefe... Ela dedica esse mini-micro-espaço-de-tempo a ele. =)
Ela poderia acordar mais cedo? Sim, claro. Mas na cabeça dela, isso faria com que ela o adequasse a sua rotina mecânica-robótica.
< agora ela está com neuras com as palavras mecânica x robótica>
Colocá-lo na rotina robótica, o tiraria das prioridades. Sairia do campo dos sentimentos e de toda a parte mais maravilhosa da questão humana!
Demonstrar seu carinho e desejar um bom dia nunca vai ser mecânico, robótico ou por obrigação. Mesmo que se repita e repita e repita...
Enquanto estiverem juntos, vai ser mais um exercício de gratidão, que ela faz por prazer, por tudo aquilo que ele tem feito de bom na vida dela!
Sem peso, sem hora, sem nada que importe mais do que ele, do que aquele momento, do que o significado disso tudo, num mini-micro-espaço-de-tempo.
Devaneios... Reflexões mais divertidas (ou não) sobre episódios de uma vida normal. Um pouco de verdade, um pouco de mentira, um misto de desejo e sonho. E problematizações! E crises existenciais! Enfim, pensamentos soltos, o lado Odara e o lado Malévola no mesmo lugar porque aqui não precisa explicação! E eu posso ser tudo! ☆Starring: Aline Neves Nakayama☆
Porque Something
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