Saiu a história de que José Mayer tinha assediado (o que já é nojento), de modo absurdamente grosseiro, uma figurinista da Globo.
O ator diz que quem falaria aquilo não seria ele e sim tua personagem Tião Bezerra que é absurdamente machista na novela que acabou semana passada.
Depois ele escreve uma carta aberta sobre o caso e é afastado dos trabalhos na emissora por tempo indeterminado.
Se a carta não foi escrita por algum/a assessor/a de imprensa enquanto ele tava tocando um foda-se pro assunto, acho muito bacana.
Na carta ele diz que é de uma época em que se tratava muito mal as mulheres e que estava mudando. Pedia desculpas. Assumia o erro. Arcava com as consequências.
O que veio depois foi aquela onda imediatista que quase joga o ator na fogueira por possíveis interpretações. Possíveis são. Garantem que estão certas? Não. Garantem que estão erradas? Também não. Mas se há margens para outras interpretações cai naquela história de que piada racista, preconceito linguístico, denúncia de assédio sejam só mimimis e não são grandes fábricas de ofensa e preconceito. Entendo que aí há um embate de egos.
Vamos ao caso, por exemplo, de piada racista. Ah mas agora com o politicamente correto todo mundo se ofende! A piada não é pra esculachar com ninguém, as pessoas que estão ficando muito ofendidas, se ofendem com qualquer coisa! No meu tempo... O que seria dos Trapalhões e dos Mamonas Assassinas... - quem nunca viu esse argumento??
Sobre preconceito linguistico: Ah mas no meu tempo se estudava até latim... acho horrível falar errado... agora temos um presidente que pelo menos sabe falar... - Nunca também??
Assédio: ah quer aparecer, quer ganhar dinheiro em cima do cara, tudo agora é assédio! O que tem de mulher safada por aí... - Nunquinha??
rsrs pois é. Então acho bizarro isso! A pessoa consegue se solidarizar com a dor do outro 'pero no mucho'! Ela parece ter uma empatia assim, ampla mas não consegue se livrar da polarização! Se o cara é do mal, ele é do mal! Não existe do malzinho. E nem levado a ser do mal!
Outra reflexão interessante sobre essa incompatibilidade de ideais (ao meu ver), as pessoas que se solidarizam com tratamentos mais dignos a presidiários, que conseguem assimilar todo o histórico do cara para fazer a defesa de sua reinserção a sociedade, fazer a defesa de que ele erou por fatores externos, referenciais errados... mas o José Mayer não pode ter este tipo de argumento!
Sabe, eu sou fiel a causa feminista. Eu considero todas essas minorias e não sou eu que vou desaprovar luta nenhuma mas eu não me sinto a vontade para 'jogar pedra na Geni' quando a Geni fala que está querendo se melhorar e viveu uma época que a gente sabe que o machismo era institucionalizado! Mas gente!
Outra reflexão que faço: se tem tanto guri machista por aí, se tem tanto marmanjo machista por aí, vcs acham que eles brotaram da terra com esses ideais?? Ou vcs conseguem perceber que fatores externos, familiares, de convívio influenciaram pro cara ser assim? Caras que nasceram ontem, que se criaram num tempo em que se recrimina machismo e se fala abertamente sobre violência contra a mulher... se é difícil pra esses caras se tocarem, imagina pra um cara tiozão que fez e aconteceu numa época em que mulheres eram servis e só? Pára né, gente!
Vamos respeitar as evoluções dos outros nos tempos dos outros!
Devaneios... Reflexões mais divertidas (ou não) sobre episódios de uma vida normal. Um pouco de verdade, um pouco de mentira, um misto de desejo e sonho. E problematizações! E crises existenciais! Enfim, pensamentos soltos, o lado Odara e o lado Malévola no mesmo lugar porque aqui não precisa explicação! E eu posso ser tudo! ☆Starring: Aline Neves Nakayama☆
Porque Something
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