Porque Something

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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Um ensaio sobre vulgaridade e exposição

As vezes a cabeça feminista com um pezinho no machismo ainda buga...
E as vezes a militância também faz a gente pensar muito unilateralmente.

Aí quando surge, aparentemente, um conflito de ideias no campo machismo-feminismo-comportamental-opinativo rsrsrs eu bugo mais ainda e fico congelada nessa ideia tentando encontrar um meio termo, um viés harmônico, estabelecer um ok, nessa complexidade.

A tal da complexidade me faz muito bem sempre que tenho um conflito de ideias - ora de conformidade, ora de ampliação de tolerâncias... ela sempre me lembra que sim, podem existir outras visões e o antagonismo pode sim complementar.

Muita gente sabe que eu tenho um problema sério com pornografia. Acho ecah mesmo.
Li vários textos, tem um TEDx muito bom a este respeito e como pornografia = consumo... e como o consumismo é algo que eu abomino, então aí me aceitei. rs
Existe aquela coisa do feminismo, de não julgar a guria do filme pornô e realmente isso eu não faço e nem acho que cabe a mim. A guria está lá fazendo o que ela quer com o corpo dela, muitas vezes sendo submetida a humilhações e ritmo de máquina mas... é a forma dela ganhar grana pra VIVER ou até pra SOBREVIVER... eu não acho a pornografia necessária. Acho a pornografia prejudicial.

Acho a exposição do corpo, de maneira chula ou simplesmente pra causar impacto, chocar ou sexualizar o corpo gratuitamente uma forma de usar o corpo para consumo.
Não gosto da banalização do corpo, da nudez banalizada. Simplesmente não acho que exibir trocentos corpos vai naturalizar a visão de uma pessoa com o próprio corpo, saca?

A Anitta lançou um clipe - outro clipe em que a sensualização (para mim) vai para além do over.
Mano, no clipe anterior ela sensualizava com uma geladeira de supermercado! Tipo... se isso não é pra vender a porra do clipe dela e para fazer as pessoas consumirem isso, sinceramente, não sei pra que ela faz isso.
Agora ela tá de biquini de fita isolante. Nem vi ainda. Só vejo várias matérias falando sobre isso.
Gurias que dizem que isso é vulgar, automaticamente são julgadas: se fosse homem fazendo isso, vc n acharia vulgar. O corpo da mulher exposto é vulgar. Chamar isso de vulgar é diminuir a mulher...
Cara, que porre essas discussões em que todo mundo tem uma opinião formada sobre o tema e sobre a opinião formada sobre o tema! Que louco esse mundo, credo!

Definitivamente eu sou mais ligada ao Sagrado. A delícia da sensualidade e da sedução do corpo - escondido ou nu, bem fotografado, acho ok. Não gosto da EXPLORAÇÃO do corpo. E da exploração do corpo para vender, criar consumo. Isso não.

Então assim, eu acho vulgar tudo aquilo que se entrega a exploração. Caso daquela marca de coisas de aço lá: a modelo está fazendo o seu trabalho e não a julgo pois ela precisa trabalhar. Julgo a marca pela exploração que nada tem a ver com o produto vendido. E julgo a campanha como vulgar sim pois explora o corpo da modelo, entende? são coisas diferentes.

A Anitta foi vulgar? A modelo da marca lá foi vulgar? A Aline Riscado - Vem verão, vai verão é vulgar? Olha, ao meu ver, naquelas campanhas publicitárias (lembra que publicidade = venda = exploração) são vulgares. Do mesmo jeito que há demanda de consumo para este tipo de coisa, há oferta de corpos para este tipo de campanha.
Acontece que, uma modelo não tem assim tamanha autonomia para escolher que peças vai estrelar, certo? Ela meio que é 'empregada', 'prestadora de serviço', ela serve a uma indústria. E o corpo é o material de trabalho dela.
Agora, a Anitta??? Ela não é empregada nem prestadora de serviço e a indústria que ela serve é a fonográfica, né? Enfim... esse tipo de coisa buga minha cabeça!
Posso julgar outras mulheres? não.
Fossem caras vc teria a mesma opinião? sim.

Acho desnecessário. Nada empoderador não. Acho banalização. Escracho.

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