Porque Something

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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Ai que atrevida!

Completando o pensamento do post anterior, só queria dizer:

Imaginemos que o aborto seja descriminalizado e a assistência seja dada através do SUS.
Me diga, qual tratamento, acompanhamento, exame, especialidade, emergência no SUS que não passa por triagem.
Então, imaginemos que, o aborto também passará por triagem. Lembra daquela sinalização de PS? Vermelho, Amarelo e Verde? Então. Em que lugar da fila do aborto legal você acha que estaria a moça? E, se o ideal é passar por atendimento especializado como psicológico, de assistência social, como é o que queremos, essa guria estaria pulando algumas etapas, certo?

A gente precisa legalizar isso logo. E tem que ser algo que atenda a toda demanda. Mas não é passar uma mulher na frente de outras por um desespero, um alarde que não dá embasamento legal/burocrático/justo (justo para com as outras mulheres) para isso.
Antes dela, é preciso olhar para a mulher realmente distante de informação e assistência. Realmente abaixo da linha da pobreza. Realmente abandonada, mãe solteira. Realmente sem condições ou acesso para usar métodos anticoncepcionais. Realmente sem estudo, sem formação, sem perspectiva de emprego.

Ao meu ver, o que ela estava implorando ali era um por uma oportunidade de emprego, de melhores condições para mulheres grávidas trabalharem. Se alguma feminista ryca desse emprego a ela, com um salário digno, duvido que ela iria pensar em aborto! - entende a necessidade de assistência psicológica e social?

Eu entendo a negativa da juíza. Eu entendo a necessidade da descriminalização. Eu entendo a necessidade de uma reforma no SUS. Eu não posso ignorar mazelas urgentes e trocar uma luta (mulheres, grávidas, mães e mercado de trabalho) por outra (descriminalização do aborto).

Bom, que saco! Era pra falar sobre outro rolê e acabei voltando no de trás.

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