Porque Something

Something é uma das melhores dos Beatles. E é uma das melhores músicas do melhor dos Beatles, o George. E Something está presente num dos ...

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

É natural que seja assim...

...Você aí e eu aqui, exatamente aqui

Voltando ao assunto do post anterior porque o post anterior voltou ao assunto do post anterior

É, ontem eu dei uma surtada rsrsrs
Se me arrependo? Não.
Se me arrependo? Talvez um pouco.
Se me arrependo? Acho que vou me arrepender mas ainda não.

Eu não sei vocês mas eu, depois daquele relacionamento abusivo, ando tendo uma bela dificuldade (ainda) de me relacionar com as outras pessoas. É um exercício diário isso de falar oi, bom dia, perguntar as coisas, responder... muitas vezes eu esqueço de responder ou fico sem jeito do que falar e acabo deixando a pessoa no limbo... é um saco isso. Eu não era assim. 

Mas, voltando a parte Top Therm, ontem comentei no post do Amor Platônico que era um caso platônico.
A ideia era fazer isso pra ver qual seria a reação. Porque sinceramente, se alguém faz um negócio desses comigo porque eu sou legal com a pessoa e não tô dando mole, é o fim da picada e game over de qualquer tipo de relacionamento né? Exclusão mode on. Seja no post, seja na guria atirada.
Já, se o buraco é mais embaixo e existe um Zing, a pessoa não exclui.
Agora se o lance for da reciprocidade linda, vai haver aquela conversa fora da friendzone né?

Não, eu não acredito em friendzone. Apesar de colocar o guri na friendzone e saber que eu também tô nesse rolê de friendzone perdida lá na vida dele também.

E sobre o Amor Real - sabe, eu estou começando a entender (ou achar que entendo) esse lance de Eu, Tu, Eles. Amo mesmo o Amor Real. É a melhor coisa que eu tenho, que eu já tive. A melhor pessoa de compreensão, cumplicidade, diálogo, transa... rola tudo muito bem. A única coisa que as vezes me deixa frustradona é o lance da falta de objetividade na vida, falta de ação. Que por sinal, ultimamente tem me surpreendido bastante e deixado feliz. Depois de eu quase querer terminar tudo.
Tenho receio que este 'tudo melhorou, tudo vai bem' uma hora exploda e eu perceba que não tá tudo bem coisíssima nenhuma! Mas, enquanto aparentemente vai bem, não tenho do que duvidar, não tenho o que temer, certo? Certo.

E do Amor Platônico? Bom, eu fico feliz de estar na friendzone ainda. Fico feliz de não ter acontecido nenhuma reação - embora ainda seja cedo e eu também demoraria um cadim pra sumir com essa pessoa louca da minha vida - porque se o guri vira pra mim e fala: sabe gata, vamo deixar essa platonice de lado, vamu si amá, vamo abandoná essa friendoze do caceti! - o que eu vou dizer? NÃO! Não porque eu sou uma pessoa ética! Porque eu sou fiel ao guri que está comigo e o Amo sim. E não porque não tá na hora disso não! Quando chegar a hora vou ser dele, ele vai ser meu, se acontecer dessa hora chegar... Levo isso com muita tranquilidade porque sei que agora não é a hora e quem sabe faz a hora, okay??

Ai que atrevida!

Completando o pensamento do post anterior, só queria dizer:

Imaginemos que o aborto seja descriminalizado e a assistência seja dada através do SUS.
Me diga, qual tratamento, acompanhamento, exame, especialidade, emergência no SUS que não passa por triagem.
Então, imaginemos que, o aborto também passará por triagem. Lembra daquela sinalização de PS? Vermelho, Amarelo e Verde? Então. Em que lugar da fila do aborto legal você acha que estaria a moça? E, se o ideal é passar por atendimento especializado como psicológico, de assistência social, como é o que queremos, essa guria estaria pulando algumas etapas, certo?

A gente precisa legalizar isso logo. E tem que ser algo que atenda a toda demanda. Mas não é passar uma mulher na frente de outras por um desespero, um alarde que não dá embasamento legal/burocrático/justo (justo para com as outras mulheres) para isso.
Antes dela, é preciso olhar para a mulher realmente distante de informação e assistência. Realmente abaixo da linha da pobreza. Realmente abandonada, mãe solteira. Realmente sem condições ou acesso para usar métodos anticoncepcionais. Realmente sem estudo, sem formação, sem perspectiva de emprego.

Ao meu ver, o que ela estava implorando ali era um por uma oportunidade de emprego, de melhores condições para mulheres grávidas trabalharem. Se alguma feminista ryca desse emprego a ela, com um salário digno, duvido que ela iria pensar em aborto! - entende a necessidade de assistência psicológica e social?

Eu entendo a negativa da juíza. Eu entendo a necessidade da descriminalização. Eu entendo a necessidade de uma reforma no SUS. Eu não posso ignorar mazelas urgentes e trocar uma luta (mulheres, grávidas, mães e mercado de trabalho) por outra (descriminalização do aborto).

Bom, que saco! Era pra falar sobre outro rolê e acabei voltando no de trás.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Pero...

Cara, eu fico muito puta, mas muito puta com essa política hipster cirandeira! Vontade de mandar pro gulag, sinceramente! rsrsrs

Enfim, vivemos tempos sombrios, blablabla, de perda de direitos, blablabla, avanços conservadores... daí que, ao meu ver, a pauta urgente é a PEC 181 que pode proibir o direito de aborto até mesmo para casos de estupro ou risco a vida da mulher.

O que queremos? Queremos a legalização, o direito de abortar legalmente e ter assistência digna, passível até de reversão dessa ideia, se pans - como acontece no Uruguai, por exemplo.

Daí que vejo que, de um lado a gente tem o sensacionalismo barato que alcança diversas camadas populares mostrando de um jeito bem torto no que incide a descriminalização: crime, pecado, assassinato, homicídio, liberar o aborto como método anticoncepcional, vagabundagem permitida, fim da família...
E do outro lado, gente que tenta tratar direitos na esfera de direitos mesmo, sem religiosidade, sem crime (já que a ciência mostra que não feto não é nem gente e que, dependendo do período de gravidez, nem feto é...), gente que tenta provar que ninguém passaria por uma intervenção cirúrgica como método anticoncepcional e que muitos e muitos casos não tem nem a ver com promiscuidade ou extinção da raça humana.

O sensacionalismo 'informa' e sensibiliza as pessoas. Penso que, usar o sensacionalismo para trocentos casos reais, passíveis de aborto como: mulheres que não tem acesso a anticoncepcionais facilmente, mulheres que não tem acesso fácil a informação, mulheres que não podem tomar pílula, mulheres sem renda e abandonadas pelo companheiro, homens que não aceitam usar camisinha, mulheres com risco de morte em gravidezes desejadas ou indesejadas, meninas grávidas - todas essas histórias poderiam sensibilizar e mover mais pessoas pela descriminalização do aborto.

Mas a política cirandeira faz o que? Joga o caso de uma guria, cursando superior, com 2 filhos, sem risco para saúde, com acesso a informação, com acesso a anticoncepcional, com emprego (mesmo q temporário é emprego e, cursando superior, já a coloca a frente de um monte de mulheres), uma mulher que o pai também concorda com a ideia do aborto - ou seja, o cara não tem nenhuma religiosidade que o impeça de usar camisinha, o cara não tem nenhum impedimento para uma vasectomia, o cara tem consciência sobre o aborto e está presente... pohan!
Sabe aquela coisa do Titanic? Mulheres e crianças, primeiro?
Que eu não saco o tamanho do problema da guria? Claro que saco sim! Que eu defenderia o direito dela abortar? Defenderia, claro! Mas pelo amor de Deus!

A gente tá numa fase de ódio, de informação acelerada, de conservadorismo, de perda de direitos, de botar um monte de mulher pra parir filho de estupro, de perder um monte de mulher em sala de parto porque o bebê tem direito a vida e ela não! A gente tem um monte de mulher em situação, condição muito mas muuuuuito mais grave que a desta moça, que poderiam sensibilizar, simbolizar essa luta com muito mais assertividade!

A gente tem que pensar na informação que a gente tá gerando - distorcida, acelerada, com teor de sensacionalismo que atinge todas as camadas sociais pró ou contra uma luta!
O que isso pode parecer pro pessoal que já tem o ódio no couro e o selo pró-vida na testa?
Uma vagabunda, que já pariu 2, ganha pensão do marido, trabalha, estuda, que podia ter fechado as pernas, que podia ter tomado pílula do dia seguinte, que mora em metrópole então tem acesso a camisinha, tem acesso a outros métodos anticoncepcionais, que foi só se preocupar agora com o que fez e não quer assumir sua responsabilidade! Uma mulher que quer usar o aborto como método anticoncepcional! - É isso que eu penso? Claro que não! Óbvio que não! Mas eu sei que é nisso que podem e vão e já transformaram!

Eu entendo a urgência dela, do que pode ser o tempo limite para um aborto com menor risco.
Mas eu entendo que a urgência dela agora é vista por outros como uma urgência de não assumir a responsabilidade do que fez lá atrás. Pra mim é punir uma mulher e uma criança com uma gravidez? É! Claro que é! Perde a criança, perde a mãe com isso.

Mas infelizmente a causa da descriminalização do aborto não poderia passar este caso na frente dos outros (gravíssimos e de mais fácil compreensão) por meio de um julgamento específico, entende?
A juíza teria que tomar muito cuidado porque, votando a favor, abrindo este precedente, ela chama a briga dos pró-vida diretamente pra si. Antes de ser juíza, ela é gente. E sendo gente, ao lidar com esse povo intolerante, a gente já sabe no que anda dando né? Mirian Leitão, Judith Butler, Dilma... hostilização é pouco! Mexer com esse povo louco conservador abrindo precedente pra caso que sequer chegou a ser visto com bons olhos por uma parte desse povo é puxar a briga e assumir o risco.
Colocar carreira, credibilidade e sua vida em troca de um precedente que nem é dos mais desesperadores (infelizmente a gente vive com muita desigualdade. Infelizmente a gente tem casos gravíssimos para além deste. E infelizmente acho que a gente tem que pensar nos casos gravíssimos que estamos prestes a perder o direito) - vc o faria??

E só deixando claro que não fico puta com a guria. Não recrimino a atitude dela. Acho que ela foi é muito forte por suportar tudo isso e infelizmente se colocar em evidência a ponto de correr muito mais o risco de ser presa por fazer um aborto clandestino do que outras gurias agora. Consigo me imaginar numa situação parecida e imaginar o quão desesperador pode ser isso.

Mas isso torna a luta pela legalização muito caricata pra esse pessoal que vive de ódio - e que está ganhando espaço. Se eles só vivessem de ódio, estava ok. O problema é que eles estão ganhando espaço e a luta só vai ter equilíbrio, quando a gente conseguir conscientizar uma galera. Essa galera movida pelo sensacionalismo e pela informação acelerada - a gente precisa aprender a tocar essa gente e não servir de esculacho pra colocar essa gente contra a luta. A ciranda alimenta o lado do ódio quando coloca casos assim em evidência. Casos que caem no esculacho mesmo.

Um dia eu espero que a gente consiga descriminalizar essa parada e dar oportunidades decentes pra todas as mulheres. Mas enquanto a desigualdade for monstra, a gente precisa colocar casos a frente de casos. A gente precisa ver a urgência de violências sexuais sobre decisões não tomadas em tempo.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Que nós até Caio escreveu...

"Congela o teu olhar no meu
Esconde que já percebeu
Que todo meu Amor é teu Amor..."


Deixe-me aproveitar este momento de êxtase! Depois de anos e anos e anos, volto a sentir cada detalhe descrito em um livro, volto a viajar para o universo lá descrito, vendo detalhes, sentido a temperatura, os cheiros... o mar, o sol, a água, o contato, o olhar, o desejo ainda imperceptível... ai que delícia!

Bom, voltando agora pra realidade... Esquece praia, esquece sol a pino, esquece mar da temperatura mais agradável... esquece essa sensação Confissões de Adolescente e volta pro teu escritório com teus números e folhas e cálculos e burocracias e registros intermináveis! rsrsrs

Ontem ou anteontem saí de um grupo que até tava gostando pra caramba de estar. Lá eu distribuía palavras de afeto, de empoderamento, de compreensão e apoio e também esclarecia algumas dúvidas, recebia conselhos, críticas... tava bem legal. Saí de lá. Motivo? Uma discussão qualquer... dessas que a pessoa chega cheia de propriedade, desmerecendo seu conhecimento e posando de gatona. Quando vc vai dando corda porque realmente pareeeece que ela acredita no que fala e que vai comprovar isso de alguma forma - quem me conhece sabe que eu não busco o confronto de direto. Eu busco motivos para que eu duvide! Sempre! Eu busco motivos para não me sentir estagnada num modo de pensar, alienada - eu busco estar errada para não me sentir cômoda em minhas certezas.
Daí que a guria estava muito, mas muito certa de tudo o que dizia e eu tava achando o raciocínio interessante, embora fosse bem diferente do que eu pensava como 'o certo'. Eis que chegou o momento em que eu pedi as tais das fontes. E isso foi uma afronta! Sabe, tá engraçado isso.
A pessoa se isenta se: for a opinião dela; no argumento estiver escrito 'comprovado cientificamente'; especialistas discordam; no que ela diz ela lança uns dados estatísticos...
Só que aí que tá - se esquecem que, pra formar a bendita da opinião, é razoável que se tenha alguma base. Um lugar seguro pra se ancorar. Pra não parecer um 'cuspir pro alto'.
Dizer que é cientificamente comprovado não tem crédito algum se você sequer consegue dizer quem é o cientista que comprova, a teoria que comprova, o estudo que comprova, qualquer dado que direcione a tal comprovação científica.
Dizer que especialistas discordam sem dizer necessariamente quais especialistas e especialistas em que também é querer manipular aquela pessoa que pode ser influenciada pelo poder dessa bendita combinação especialista+discordância que concorda com o teu modo de pensar.
E dados estatísticos lançados ao léu? Dados que ninguém encontra em pesquisa nenhuma!
Então, saí do grupo e melhorei em qualidade de vida. Apesar de dar conselhos e interagir e conhecer situações diferentes das minhas, vi que eu gastava muito tempo com isso.

Estou tentando ajeitar meu tempo das coisas...

Voltando a 'Mel e Girassóis'... este é um livro do Caio F. Abreu que, eu estava um tanto resistente a ler - Ler Caio F. - porque virou uma febre no Facebook numa época e eu ficava Caio Who?! - e aí meu ex falava mal e tal (apesar de que eu acho que ele nem conhecia Caio F. na real). Então, Mel e Girassóis é um livro do Caio Fernando que é citado numa música q eu adoro e devaneio quando escuto - Fica (AnaVitória) - e não entendia nada desta bendita parte:
"Congela o teu olhar no meuEsconde que já percebeuQue todo meu AmorÉ teu AmorEntão vem cáQue nós até Caio escreveuParece que nos conheceuEm Mel e Girassóis..."
Então fui caçar o que era isso e achei o livro e baixei e li o capítulo Mel e Girassóis e me apaixonei 6x.
Ontem foi dia de Fuvest - foi horrível. Nunca na história desta pessoa, não foi possível aplicar regra de três até ontem! Existe uma remota possibilidade de passar pra segunda fase? Existe. Remota? Remotíssima! Vamos nos apegar a essa esperança? Melhor não. No expect! Sem expectativas!

Ontem também assisti As Vantagens de Ser Invisível e, apesar da parte tensa do filme, densa, dramática, me vi em minha vivacidade adolescente ali. Que gostoso foi.
Recomendo o filme. É muito bom. Muito bom mesmo.

Quantos amores platônicos vc tem?

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Ensaios e paradoxos sobre a criação

as pessoas deveriam se sentir responsáveis por aquilo que fazem das suas vivências. Pelos aprendizados que desenvolve e compartilha. Se frustrar menos pelos erros - levá-los como aprendizado. Se orgulhar menos das conquistas - tomar cuidado com o ego. Não depositar suas frustrações culpando suas relações, seus pais, as outras pessoas - não assumir e se ocupar de culpa.
Porém se responsabilizar por aquilo que fazem como indivíduo. Em seu canto só. A partir do momento que a responsabilidade pode ser divida, ex. relação de pais e filhos, de colegas de trabalho, de amigos, de marido e mulher, namorados, etc... aí a responsabilidade é de via dupla né?

A culpa e a responsabilidade tem que ter em si muita subjetividade.

Acho que toda família grande (quando sai do núcleo pai, mãe e filhos e entra na relação, avós, sobrinhos, tios, primos, etc...) tem sempre o seu 'casal propaganda de margarina'. Que no fundo, no fundo... também tem suas imperfeições. E eu acho realmente um saco a gente ter que fingir que são exemplão de vida, sendo que no fundo, no fundo, todo mundo é humano e ninguém é pago pra encher a bola de ninguém né??

A vida inteira, as mulheres da minha família tiveram uma trabalheira danada para não criar indisposições entre filhos e pais. Tivemos com os homens da família problemas com jogos, drogas, violência doméstica, alcoolismo, machismo, abuso, pedofilia, adultério... e  tudo isso foi muito bem acobertado ou, sendo um pouco romântica, fantasiado 'a la A Vida É Bela' para não pegarmos ranço dos homens, não odiarmos nossos pais, não nos rebelarmos e até não haver uma desconstrução do mito da família tradicional. Elas tiveram êxito nisso. Nenhum de nós odiamos nossos pais não. Mas alguns de nós levamos adiante essa desestrutura velada para os nossos relacionamentos, agora adultos. Acho que é bem claro na minha família que essa falsa família tradicional causou distorções nos relacionamentos de quem cresceu no meio da fantasia, no meio do 'passar um pano' e negar a realidade... E pra alguns de nós é bem complicado saber lidar com um relacionamento saudável já que a gente não teve de fato nenhum exemplão assim de verdade.

Eu não sei bem o porquê mas a vida inteira ouvi que minha mãe era difícil e que meu pai teve muita paciência com o gênio forte dela. Não sei bem de onde veio o gênio forte da minha mãe - a família dela é grande e por isso fica complicado a gente tentar entender os entremeios do passado. Mas a gente sempre  ouviu isso: que minha mãe era difícil, que minha mãe não tinha prática alguma pra ser esposa, dona de casa e que meu pai moveu montanhas pra agradá-la mas mesmo assim ela era difícil.
Minha mãe não nasceu pra ser dona de casa e hoje eu vejo isso claramente então hoje consigo entender isso dela não atender aos requisitos para ser uma boa dona de casa - ela não entende mas realmente, tá tudo bem em ser assim.
Minha mãe nunca foi movida a luxo e vaidades mas meu pai queria ser o marido da Stephanie de Monaco e isso rendeu pra ela várias críticas e um peso chatão das cunhadas e tal por ela não se moldar a isso, não gostar de frutos do mar, não gostar de salto alto e grifes e frescuras de salão de cabeleireiro e afins... - acho que isso pesou mais do que devia sobre ela e está tudo bem em não se moldar as vaidades do senso comum.
Por outro lado, também ouvi que meu pai era difícil. O difícil que diziam não era nem 1/3 do que de fato meu pai foi: um monstro. Ouvi que meu pai bebia e ficava agressivo mas nunca fez nenhuma maldade. Depois de um tempo ouvi que meu pai bebia e que as vezes botava a gente pra fora de casa mesmo na chuva, mesmo no frio, mesmo sendo crianças de colo, mesmo sem minha mãe ter dinheiro pra gente ir pra qualquer lugar que fosse, que fosse de madrugada... ele simplesmente bebia e colocava a gente pra fora. Ano passado eu soube que meu pai e minha mãe levantavam facas um contra o outro nessas brigas e minha mãe me mostrou uma cicatriz na coxa de uma facada que levou do meu pai.
Eu tenho vagas lembranças de drogas em casa: tubos de caneta bic sem o caninho da tinta, cheios de pó branco dentro. Cinzeiros de metal queimados embaixo. Acho que lembro de cachimbos improvisados com durepoxi. Lembro de meu pai com uns incensos que depois de experimentar maconha na vida, vc começa a entender porque que algumas pessoas 'gostam de fumar com um incenso aceso'... e é claro que lembro também daquelas reuniões depois da feira - meu pai era feirante - e juntava uma japaiada na mesa da cozinha com muita, muita, muuuuita grana rolando sempre. E ficava tudo ensacado, separado, em cima da geladeira - essa grana eu nunca soube direito do que se tratava. Criança inocente achava que era grana da feira. Hoje eu sei que essa 'grana da feira' fez parte do 'A vida é bela' que pintaram pra gente.
Além das lembranças de drogas em casa, eu tenho lembranças de meu pai completamente fora de si, agressivo, violento... - mas eu cresci sabendo que meu pai era autoritário e bravo. Então era difícil, quando criança, entender a diferença entre um comportamento bravo de um pai para um pai transtornado de droga. Hoje eu tenho clara essa separação nas situações que me lembro.

Enfim, na adolescência, meu pai virou uma espécie de herói. Aquele momento em que vc descobre o rock na vida e sua mãe ouve sertanejo mas com teu pai vc fala de Deep Purple e suas coleções de diversos mitos do rock! Meu pai era sensacional!
Mas meu pai era o cara controlador, manipulador, obsessivo, psicopata que ligava do Japão e ficava 3 horas no telefone, falando comigo, minha mãe e meus irmãos, fazendo todo mundo chorar num terror psicológico frequente.
Era difícil entender... minha mãe fazia 'o Benigni', falando que ele trabalhava demais, queria muito estar com os filhos e a família e por isso ele se frustrava, ficava bravo e tal. A gente, apesar de passar por tudo isso que meu pai causava sentia pena. E assumia isso de deixar o meu pai triste por ele não participar ativamente, como queria da nossa vida. A gente acreditava que ele queria isso.

Eu sempre escutei de todo mundo que meu pai era um ótimo pai. Que meu pai deu do bom e do melhor sempre pra gente. Quando estávamos juntos, ele sempre acompanhou em consultas médicas, sempre pagou muito bem para todo o acompanhamento das gravidezes, sempre comemos bem, nos vestimos bem... - eu sempre achei que isso tinha a ver com cuidado e afeto mesmo, dele por nós. Hoje já penso que talvez tenha a ver com bancar a aparência de família margarina que ele queria ter.
Sempre ouvi que tínhamos que valorizar meu pai. E era o que eu fazia. Mas ficava confusa com isso de valorizar alguém que deixava a gente a mercê por meses sabendo que dele vinha o sustento da casa - meu pai as vezes sumia no Japão. E ele não permitia minha mãe trabalhar para que ela cuidasse muito bem da gente.

Aí eu entendo a culpa exagerada que minha mãe sente por não sermos tão perfeitos como deveríamos ser, após ela se dedicar tanto assim a gente. O erro, na cabeça dela é dela e não nosso. Ela dedicou a vida pra gente ser tipo... isso que somos hoje e não somos nada bons em simplesmente ser bem sucedido na vida.

NEM LI  E PUBLIQUEI, SEI QUE TÁ INCOMPLETO MAS TÔ CANSADA DE RASCUNHOS


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Caaaalma... tudo está em calma... =)

Voltei de uma temporada em minas. Foi bom viajar sem o boy. Foi bom viajar para o interior. Foi bom ficar mais tempo com mãe. Foi bom em diversos aspectos.

Me tomei por observações, claro! O tempo parado, o calor e a cultura agora tão diferentes... vejo traços de mim lá - coisas que deixei de ser e até então abominava - hoje simplesmente vejo as diferenças. Lamento a superficialidade, claro! Mas entendo a coexistência destes dois mundos. Queria que entendessem o meu mundo ou ao menos aceitassem da mesma forma mas... cestlavie! rs

Frutal ainda vive esses tempos de superficialidade das maquiagens, negando as aparências, disfarçando as evidências... rsrsrs

E aí me aprofundei nessa questão! Vejo tanta gente (principalmente na famiglia) dizendo que estão ótimas com seus corpos, bem resolvidas e pa... só que é aquele bem resolvido até o primeiro quilo acima do que se matou para conseguir né? É tudo lindo, maravilhoso até aquela roupa ficar mais justinha. Ou então, tudo vai realmente bem, prazeroso sem se importar, engordando e tal... até aquele evento suuuuper chegar e vc se olhar 'gorda', sem caber na roupa q desejava ou até cabendo mas não ficando absolutamente perfeito como queria. E por aí vai.

E pensei também sobre vícios e virtudes! Será que as pessoas não percebem que toda e qualquer compulsão é vício? Ir a igreja demais é vício! Deixar de fazer algo para se prender totalmente a uma doutrina também vejo como vício.

Enfim né... cometi o pecado que odeio: reparei a vida dos outros! rs

A imagem muitas vezes fala muito, grita! E eu já não me importo mais como me importava antes.
Lá em Frutal fiz questão de mostrar isso - que não me importava e fui tão feliz! rsrsrsrs
Minha mãe surtou, claro! Mas sabe, me vi tão minha, tão livre, leve e louca! *__*
Foi bom.

Nada de ficar brigando com todos ou arrependida por não ter feito a pose exata pra me fotografar...
Tudo é aceitável desde que não seja uma farsa... Que não seja um bem estar temporário pagando de emancipação! rs
E não é de hedonismo isso - de servir ao meu prazer e assim tornar lei. Não.
É só de me sentir realmente bem. Me sentir a vontade ao subir num salto e me maquiar. Me sentir a vontade de pé no chão. E não ter obrigação com imagem nenhuma disso.
Entende esse desprendimento? Não sei bem explicar.
Me sinto bem não tendo que me explicar, não forçando nenhuma imagem nem acho nada genial isso de expor

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

E tá errado! E tá errado?

Olha, não para de chover denúncias de minas que sofrem assédio no transporte! É no trem, no bus, no metrô, no táxi, no uber, no cabify, no 99... Tá um puta saco isso!

E pior é que ainda existe diferenciação pra assédio. Tem aquele assédio 'aceitável' (como se a gente já tivesse a obrigação de conviver com isso porque é natural do homem se esfregar na gente, tocar, apalpar, falar coisas obscenas e tal) e aquele que não é aceitável porque aí já fere a dignidade alheia né? Tipo, ninguém gosta de ver mulher machucada, homem nenhum gosta de saber que sua mulher foi estuprada, é muito nojento ver uma mulher suja de gozo de um tarado - esses que são visivelmente desagradáveis acabam sendo combatíveis.

Fico horrorizada com isso. Os outros definem o que é aceitável pra você. E a gente se fode porque tem que aceitar que é só um assediozinho, vai! Se fosse um assediozão que causasse nojinho ou peninha nos transeuntes ao redor, aí vc tem o direito de reclamar e fazer um escândalo. Do contrário, fica calada e para de se achar porque toda mulher passa por isso e não sai fazendo barraco, atrasando, atrapalhando a vida do outro! - é bem isso! e feminismo pra que né? e não existe machismo não.

Isso eu já acho um porre.

Daí outra questão dentro dessa macro-esfera do assédio, indo pro outro lado, aquele que tem que ser gritado e os caras acham que castrar o cara é o melhor mesmo sem pensar que pra existir a penalidade de castração, o filho da puta precisou assediar 'gravemente' uma mulher. E assim, mesmo com castração química - digamos que foi aceito isso - ainda vai existir estupro e eu acredito que tem muito a ver com transtorno mental e que o cara vai estuprar com pau, com dedo, com o que tiver pra saciar seu desejo psicopata mesmo que lhe tenham tirado o pinto. Ou seja, é cada 'eficácia' que o povo arruma...

Dentro ainda desse lance mais grave do assédio que se torna estupro, atentado violento e tal, faço minhas observações distante, sem assumir lugar de fala e sem propriedade para discutir com as manas é a questão da denúncia.
As vezes parece que a questão da denúncia de violência contra a mulher, no processo formal, só cabe a parcela pobre e preta. Aquela que tem exame de corpo de delito, constrangimento, enfrentamento direto com policiais machistas, julgamentos, preconceitos, humilhação - só cabe a parte das mulheres que fica a margem. Que é encorajada a ir na delegacia por campanhas de globais, que é estimulada pela história contada na novela que é parecida com a sua no barraco, que vem de campanhas virais na internet...
A outra parcela da sociedade, elite, branca, empoderada, politizada pode se dar ao luxo de não passar por este processo, gritar nas redes sociais, virar mártir, criar hashtag, dar entrevista...

E aí o meu lado matemático (apesar de ser de humanas eu sou de gêmeos né? rsrs) que transforma tudo em estatística (porque meu entendimento matemático se resume a bhaskara e regra de 3) fica refletindo: se o que entra pras estatísticas são os casos registrados e se a partir dos casos registrados que temos então dados documentados passíveis de cobranças e ações (lembrando sempre que estou falando de como funciona burocraticamente e não falando como deveria funcionar com burocracias a parte e maior valor ao depoimento da vítima onde quer que fosse) porque raios a gente tem que defender que tá ok a pessoa não deununciar na delegacia e denunciar no Facebook?

<peguei este texto pra terminar depois e não li desde o começo pra puxar linha de raciocínio porque eu sei que já perdi grande parte do que queria dizer - sempre acontece quando não escrevo um texto de uma vez>

Então a mulher famosa berra no Facebook. E berra que não vai a delegacia porque o cara sabe onde ela mora e bla bla bla. Denuncia uma empresa mas não denuncia o abusador, não dá pistas de como o cara é, não vai a delegacia porque 'a dor é dela'... E aí eu acho meio nada a ver isso porque o meu feminismo grita que, somos nós por nós e se uma mulher precisa MUITO de leis que a protejam, essa
burlada nas estatísticas fode!

E aí vai pra novela berrar que a única forma da negra da favela vencer o macho abusivo é denunciando na delegacia e se sujeitando a toda humilhação.

Sei lá.
Acho que a gente tem que se entender como estatística. E tem que entender que não tem que burlar lei. Tem que fazer as coisas do jeito certo porque o que é certo pra uma é certo pra todas e não é porque o cara lá na delegacia vai ser filho da puta que a gente tem que evitar. A luta não é fácil. A luta não é bloguezinho, textão de Facebook, fotinha dramaqueen.

E aquela coisa que não entendo: vc n quer se submeter a humilhação na delegacia mas se submete a humilhação de virar viral e ter trocentos caras tipo o delegado te xingando. Vc perde o controle de quantos tipo delegados vc tai enfrentar, cara!
E denuncia sem dar nomes aos bois?? Enfim... acho errado. Posso mudar meu pensamento mais pra frente, se conseguir entender de outra forma. Mas a princípio acho erradão!