Porque Something

Something é uma das melhores dos Beatles. E é uma das melhores músicas do melhor dos Beatles, o George. E Something está presente num dos ...

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Rio x São Paulo

Ela é muito ansiosa. As vezes mete os pés pelas mãos. Corre contra o tempo, faz mil coisas ao mesmo tempo e quer sempre encontrar Amor.
Tem pavor de viver sozinha!

Sofre de carência afetiva crônica!

E ele? Ele é de aquário! Volúvel, versátil, tranquilo, centrado...

As vezes ela se pergunta: quanto tempo será que ele espera para que um dia fiquem juntos?
Noutros momentos ela se toca: mas é claro que ele NUNCA pensa em vocês juntos!

E nessa de achar e desachar ela segue a vida com um sentimento lá e outro cá.

Novembro ela foi para o Rio e ele não deu a mínima.

Passou dezembro e ela já estava em outro lance em SP. A princípio, nada sério. Mas ela enlouqueceu.
Com feridas do relacionamento anterior e com o novo boy cismando em ressuscitar uma ex, ela teve inúmeras crises de insegurança e o boy não queria assumir nada sério ainda! Mas o boy é a pessoa mais compreensiva que ela conheceu na vida. Respeitoso, agradável, com pensamentos políticos bem iguais, gostos iguais e eles se entendem bem em transas e conversas, em gostos e convivência.

Estava tudo maravilhosamente bem com o novo boy.
Aí ele apareceu. Do nada apareceu. Já era final de janeiro e ele apareceu.
Num convite inusitado para uma nova apresentação dele em SP. Super cortês: ingressos grátis mas se acontecer algum imprevisto, me avise pois vc é minha convidada! E desta vez vamos nos falar depois do show.
Ela agradeceu e foi ao show sim. A primeira vez em que se veriam de verdade, cara-a-cara, se tocariam e toda aquela coisa que não se vive na rede social.
Claro que ela desacreditou que estivesse acontecendo e claro que, ao mesmo tempo em que desacreditava, já floreava todo esse encontro antes dele acontecer.
"Planejando pra fazer acontecer
Ou simplesmente
Refinando essa amizade..."
Para aquele mesmo dia, ela reservou umas 4 atividades diferentes, em lugares diferentes - ela tem o dom de se sabotar quando se trata dele, isso é fato.
E ela foi. Se arrumou e foi. Deslumbrante e linda, num final de tarde típico de verão. Num vestido tubinho branco, scarpin amarelo neon. Como sempre tímida, não ousou ficar perto do palco - na tentativa de auto-sabotagem ela ficou longe do alcance de visão dele - e até mesmo para apreciá-lo com a maior cara de pagação rs

Terminou o show e ela ficou na dúvida tremenda: ir ou não ir falar com ele? E se ela descesse para o andar do palco e despencasse com esse salto alto e vestido curto? E se ela descesse e ele não desse a mínima pra ela? E se ela descesse e ele demonstrasse na cara larga a decepção de conhecê-la? E se ela descesse e ele a convencesse de dar um rolê sendo que os outros compromissos também já tinham sido confirmados por ela? E se ela descesse e se entregasse perdidamente e traísse o boy? - algo que iria contra os conceitos dela, mesmo eles não assumindo nada sério. Mas se ela não fosse, ele ia achar que ela era uma jeca né?
Eram tantas dúvidas na cabeça dela que ela o viu indo para a cochia e jogou para o destino decidir:
_ Se ele voltar por qualquer motivo que seja, eu vou descer!

Dito e feito!
Como destino e apostas para ela são coisas sérias, ela desceu.
Ele estava com um amigo - ambos lindos - e ela chegou tímida, com sorrisão na cara que não conseguia esconder. O rosto queimava! Devia estar completamente vermelha. Em meio a tantas dúvidas sobre descer ou não descer ela sequer pensou no que diria pra ele!

O cumprimentou felizona e sem jeito. Ele também parece ter ficado abismado com a presença dela e o olhar dele pra ela... ela nunca viu ninguém na vida a olhar daquele jeito! Não eram olhos de desejo. Não eram olhos de tesão. Aquele olhar que até hoje não existem palavras para descrever!
Acho que o zing foi tão evidente ali que o amigo dele pediu para que fossem tomar uma cerveja mas ela negou. Eles insistiram e ela negou novamente alegando seus compromissos e ela já estava atrasada sim.
Deu mais um abraço nele, cumprimentou o amigo e subiu a escada.
Percebeu que os dois a olhavam até sumir. E falavam alguma coisa.
Sobre o que falavam? Dela, com certeza. O que falavam? Isso, acho que nunca vamos saber.

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