Porque Something

Something é uma das melhores dos Beatles. E é uma das melhores músicas do melhor dos Beatles, o George. E Something está presente num dos ...

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

E o resto é mar...

"É tudo que eu não sei contar...
São coisas lindas que eu tenho pra te dar"

Sabe O Que Cairia Bem? _(ou)_ Das Idealizações De Um Amor Perfeito

Telepatia!
Seria maravilhoso se, por um acaso, eu pensasse em você, você pensasse em mim, eu lembrasse de uma música que me remeteria a você, vc pensasse numa música que te remeteria a mim. Eu postasse algo que você sacasse ser pra você, você assim da mesma forma... Sintonia pura! Seria lindo! Seria fácil de sacar! Seria gostoso!

Falar o sentimento!
Demonstrar e não ter medo da patada, da incompatibilidade...
Não deveria ser tão difícil assim e não deveria ser tão horrível assim lidar com incompatibilidades.
Poder falar o que sente, ser bem recebida ao falar do que sinto e ter o mesmo ou em maior teor de retorno. Ah como seria bom!

Da nossa heroína anterior e do seu quase-Amor não temos mais nada a dizer.
Ele foi para o Rio, voltou outra vez a SP, tentaram se encontrar, se ligaram - Aaah como ela gostava de ouvir a foz dele! - Chovia muito, era muito tarde e ele, de novo, do outro lado da cidade, num dia de semana. Tentaram, tentaram se encontrar, forçaram pra acontecer mas realmente ficou muito tarde. Ele ainda insistiu. Ele dormiria em SP. Falou para ela passar aquela noite com ele e seus amigos na casa de um conhecido. Ela recusou, não poderia ser tão insana a ponto de se deslocar para tão longe assim e ter que sair de madrugada para trabalhar no dia seguinte!

Ela não sabe bem o porquê mas com ele ela consegue ter limites. Consegue dizer sim e não. Consegue ser ela e quando percebe já fez! - E isso é uma das melhores coisas que ela pode ter a respeito deste micro-relacionamento.

Nos dias que se seguiram ela deu um ultimato para o garoto com quem estava saindo se acertar - a ex ou ela. Ele preferiu ela.

Ela se sentiu honrada - nunca na vida ela havia sido a preferência de alguém. E então se viu coberta de Amor - ainda confusa pois a história com o outro nunca terminou ou ousou acontecer - e resolveu viver este sentimento.

Noites escaldantes

Fevereiro/2016.
Como fez calor naquele ano!

E aquela história que baqueou ele e ela no mês anterior ficou no ar mas não por muito tempo.

Talvez aquele encontro tenha feito com que o guri percebesse que era seguro investir, era recíproco e forte o que existia ali.

Ela, já levava seu barquinho por outros mares - o relacionamento com o boy ia bem, mas ia bem sem muita demonstração nas redes sociais. E com o boy ainda sem querer assumir nada.

Ela não sabia bem o que havia acontecido naquele começo de noite de janeiro. Ele mudara o tratamento com ela: sempre a chamando de 'linda'. - era a pista para qualquer garota super decidida, bem resolvida e de auto estima ok sacar que 'estava acontecendo'. Mas não era o caso da nossa protagonista.
Ela não sacava o que estava acontecendo e vivia cheia de dúvidas. Ela até pensava que podia ser mas depois desapegava desse pensamento achando que tamanha sorte não seria pra ela.

Então ele comentou que estaria em SP novamente para gravar seu disco. Combinaram de se encontrar. Ela não sabia o que fazer a respeito. Estava 'tipo namorando' e estava com o possível amor da vida inteira chegando em SP nos próximos dias.
Não era namoro ainda. Mas eles estavam sempre juntos. Nada assumido ainda. Ele com trelelê com a ex ainda.

Ela não queria deixar essa chance passar e pediu trocentos conselhos pra saber se deixava passar e queria ouvir que era pra deixar passar mas por incrível que pareça, até das pessoas que ela tinha certeza que ouviria um: apaga esse fogo - ouviu um: você não tem nada sério ainda, precisa ver o que vai dar mesmo. Se eu fosse você eu ia, não tem nada de mais.

Então ela tomou coragem e confirmou que iria encontrá-lo.
Acontece que o moço é de aquário, carioca e músico! Ou seja, tranquilo, sossegado, distraído, estava a trabalho, sem preocupação com hora...

Daí que ele estava do outro lado da cidade. Ela saiu correndo depois do trabalho - era dia de semana. E foi para a casa da irmã se arrumar. Ele dizendo que as coisas estavam atrasando, que o trabalho ia demorar... E ela começou a achar que ele tinha voltado atrás nessa ideia e estava quase indo embora para a casa dela quando de repente o telefone toca.
Era ele. Pedindo desculpas pelo atraso e melhorando o convite - já era tarde, uma cerveja só não seria legal - vc gosta de comida japonesa? Vamos num restaurante?
Ela confirmou e se animou toda. Daí ele disse que iria o pessoal do estúdio também e ela já se imaginou no meio de uma galera que fala de música o tempo todo, um bando de tiozão que não quer envelhecer - aquilo de músicos que ela conhecia. Mas arriscou e foi.

Se atrasou. Mas até aí, ok. Ele também tinha se atrasado horrores né?
Chegou ao restaurante e já ouviu um - Ela chegou, é ela! - que a encantou e tranquilizou pois ela não tinha certeza ainda se era bem vinda ali. Não sabia se ele tinha enrolado tudo isso para que ela não fosse ao seu encontro mas do tanto que é sem noção e teimosa, acabou indo mesmo assim.

Aquele olhar de janeiro se repetiu e ela sentiu que 'seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso(...), como um corpo ressequido que se estira num banho tépido, sentia um acréscimo de estima por si mesma e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cara hora tinha seu intuito diferente, cada passo conduzia a um êxtase e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!' - não haveria outra maneira de descrever essas sensações.
Se sentiu segura, se sentiu tranquila, se sentiu a vontade, se sentiu desejada, se sentiu acolhida, se sentiu admirada, se sentiu querida, se sentiu interessante e bem vinda!

Dali eles já voltariam para o Rio. Foi um jantar super agradável com pessoas mais velhas, entendidas de música e ok com suas idades e experiências - ninguém querendo se impor ou mostrar que manja mais (como acontecia nas outras rodas de músicos que frequentara), nada junkie, nada performático, exagerado e ela se sentiu bem com aquilo. Parecia até que um ciclo realmente havia se fechado ali. Ela viu que não queria mais saber, que já tinha vivido e passado o tempo dessas loucuras.

Ela foi com eles até a rodoviária e da despedida foi a coisa mais incrível que poderia acontecer.

Ambos sabiam que tinham encontrado exatamente o que queriam encontrar ali, um no outro. Ambos viram que não havia nada de superficial e que eram aquilo que eram e que havia algo de mágico e super agradável, uma atmosfera que os deixava a vontade como se já se conhecessem de fato.
Ele lembrou que fazia anos que se conheciam sem se conhecer. E ela completou dizendo que foi ótimo e que queria muito conhecê-lo de verdade. Ele ria, contemplava, parecendo abismado, concordava e ainda disse que ela era como ele imaginava.
Ela já desistia de esperar que acontecesse mais alguma coisa ótima mas ele a segurou suavemente nos braços e ali, na rodoviária, se beijaram. E por aquele momento ela não estava mais ali. E o beijo deles combinou. E foi terno. Foi bom. Ela segurando ele pela nuca, acariciando os cabelos dele - que cabelos macios!

Nem acreditava que aquilo havia acontecido, que estava acontecendo!

E então ela voltou, tarde da noite, para sua realidade em sua casa.


Rio x São Paulo

Ela é muito ansiosa. As vezes mete os pés pelas mãos. Corre contra o tempo, faz mil coisas ao mesmo tempo e quer sempre encontrar Amor.
Tem pavor de viver sozinha!

Sofre de carência afetiva crônica!

E ele? Ele é de aquário! Volúvel, versátil, tranquilo, centrado...

As vezes ela se pergunta: quanto tempo será que ele espera para que um dia fiquem juntos?
Noutros momentos ela se toca: mas é claro que ele NUNCA pensa em vocês juntos!

E nessa de achar e desachar ela segue a vida com um sentimento lá e outro cá.

Novembro ela foi para o Rio e ele não deu a mínima.

Passou dezembro e ela já estava em outro lance em SP. A princípio, nada sério. Mas ela enlouqueceu.
Com feridas do relacionamento anterior e com o novo boy cismando em ressuscitar uma ex, ela teve inúmeras crises de insegurança e o boy não queria assumir nada sério ainda! Mas o boy é a pessoa mais compreensiva que ela conheceu na vida. Respeitoso, agradável, com pensamentos políticos bem iguais, gostos iguais e eles se entendem bem em transas e conversas, em gostos e convivência.

Estava tudo maravilhosamente bem com o novo boy.
Aí ele apareceu. Do nada apareceu. Já era final de janeiro e ele apareceu.
Num convite inusitado para uma nova apresentação dele em SP. Super cortês: ingressos grátis mas se acontecer algum imprevisto, me avise pois vc é minha convidada! E desta vez vamos nos falar depois do show.
Ela agradeceu e foi ao show sim. A primeira vez em que se veriam de verdade, cara-a-cara, se tocariam e toda aquela coisa que não se vive na rede social.
Claro que ela desacreditou que estivesse acontecendo e claro que, ao mesmo tempo em que desacreditava, já floreava todo esse encontro antes dele acontecer.
"Planejando pra fazer acontecer
Ou simplesmente
Refinando essa amizade..."
Para aquele mesmo dia, ela reservou umas 4 atividades diferentes, em lugares diferentes - ela tem o dom de se sabotar quando se trata dele, isso é fato.
E ela foi. Se arrumou e foi. Deslumbrante e linda, num final de tarde típico de verão. Num vestido tubinho branco, scarpin amarelo neon. Como sempre tímida, não ousou ficar perto do palco - na tentativa de auto-sabotagem ela ficou longe do alcance de visão dele - e até mesmo para apreciá-lo com a maior cara de pagação rs

Terminou o show e ela ficou na dúvida tremenda: ir ou não ir falar com ele? E se ela descesse para o andar do palco e despencasse com esse salto alto e vestido curto? E se ela descesse e ele não desse a mínima pra ela? E se ela descesse e ele demonstrasse na cara larga a decepção de conhecê-la? E se ela descesse e ele a convencesse de dar um rolê sendo que os outros compromissos também já tinham sido confirmados por ela? E se ela descesse e se entregasse perdidamente e traísse o boy? - algo que iria contra os conceitos dela, mesmo eles não assumindo nada sério. Mas se ela não fosse, ele ia achar que ela era uma jeca né?
Eram tantas dúvidas na cabeça dela que ela o viu indo para a cochia e jogou para o destino decidir:
_ Se ele voltar por qualquer motivo que seja, eu vou descer!

Dito e feito!
Como destino e apostas para ela são coisas sérias, ela desceu.
Ele estava com um amigo - ambos lindos - e ela chegou tímida, com sorrisão na cara que não conseguia esconder. O rosto queimava! Devia estar completamente vermelha. Em meio a tantas dúvidas sobre descer ou não descer ela sequer pensou no que diria pra ele!

O cumprimentou felizona e sem jeito. Ele também parece ter ficado abismado com a presença dela e o olhar dele pra ela... ela nunca viu ninguém na vida a olhar daquele jeito! Não eram olhos de desejo. Não eram olhos de tesão. Aquele olhar que até hoje não existem palavras para descrever!
Acho que o zing foi tão evidente ali que o amigo dele pediu para que fossem tomar uma cerveja mas ela negou. Eles insistiram e ela negou novamente alegando seus compromissos e ela já estava atrasada sim.
Deu mais um abraço nele, cumprimentou o amigo e subiu a escada.
Percebeu que os dois a olhavam até sumir. E falavam alguma coisa.
Sobre o que falavam? Dela, com certeza. O que falavam? Isso, acho que nunca vamos saber.

Da primeira vez era cidade...

É fascinante como as novas formas de se relacionar aceleraram e, antes, a novidade que era vista com preconceito, através desses tele-amizades, hoje se torna cada vez mais normal através de outras mídias.

Lembro que na adolescência, a Oi lançou uma promoção absurda de 31 Anos de ligações grátis de Oi para Oi. Eu e minhas amigas tínhamos celulares da Oi e como toda adolescente da cidade que tinha Oi, começamos a fazer e receber ligações de números aleatórios, fazer contatos, amizades... Foi uma experiência muito divertida. Mas vejo que existe uma certa resistência para que as coisas se firmem. Desde estes relacionamentos de tele-amizade, aos contatinhos vindos da Oi, os do Orkut, Facebook, Tinder, Happn.. eles vem e vão.

Mas há relacionamentos que ficam. E é de um desses que vamos falar aqui. =)

Tempos de eleições. Pessoas absurdamente raivosas nas redes sociais. O início da intolerância, da polarização, da falta de diálogo nas redes de 'relacionamento'.
Ela, uma garota ainda. Viva, bonita, apaixonada por maquiagens e cheia de selfies, caras e bocas que iam do divertida ao sexy. Romântica, ingênua, perdida, sedenta por cultura e informação! Interessada por política e um tanto quanto inexperiente nesse meio - tanto de política quanto de Facebook - se assusta com o que vê. Com a quantidade de raivas espalhadas e agressões gratuitas.
Ele, já experiente, lindo daquele jeito largado, sorriso encantador, músico, estudioso e curioso por questões sociais  - bom, dele não sabemos quando foi o início dos interesses políticos e nem como ele estava sobre as redes sociais mas é certo que o ódio que se espalhava também não era assim, algo comum a ele.
Ela em SP e ele no Rio.
Ela pobre, desempregada, sem grana pra pensar em conhecer o Rio um dia.
Ele, todo envolvido em estudos lá, trabalhando com música... também não estava assim disponível para SP.

E foi assim que se conheceram. Dessas coisas de redes sociais em que um aceitou a amizade do outro e já nem se sabe quem pediu amizade de quem! E começaram a interagir sobre politicas e músicas. Nossa! Quanta sintonia! Ela ficava deslumbrada!
Ela adorava falar com ele sobre essas coisas que ele sabia tanto e ela, quando encontra fontes de sabedoria,conhecimento, diálogos emancipadores... iluminação! - Ela se entrega perdidamente a isso.

E foi assim por muito tempo. Anos.
Ele de longe acompanhando suas vitórias e derrotas, dando apoio, levantando a auto-estima da garota.
Ela sempre de amorzinhos e chamegos pra ele. Muito gentil, muito interessada.

Havia claro interesse das duas partes, em se conhecer e até arriscar algo além. Mas isso ainda era oculto para ela. Apesar de latente. Não dá pra explicar. Só digo que foi um momento em que ela se perdeu completamente de si. Mas essa face oculta guardava sua essência e, certamente, em sua essência ela sabia que havia encontrado sua alma-gêmea.
"É força antiga do espírito
Virando convivência
De amizade apaixonada
Sonho, sexo, paixão
Vontades gêmeas de ficar
E não pensar em nada"
E havia um detalhe! Ela namorava! Ela namorava e declarava esse Amor todo em suas redes e não sobrava espaço para pensar em mais nada - ela não sacava que toda aquela admiração e sintonia faziam mais sentido do que tudo ali - e ele continuava na dele, sem nunca deixar escapar esse sentimento. Ou deixou e ela não viu? Bem, se ele deixou, ela realmente não viu.
E ela sofria miseravelmente neste relacionamento! Sofria, não via, quase morria e... em meio a músicas e política, ele meio que a socorria.

Esse sentimento oculto, certa vez ousou aparecer. Ela ainda não entendia o que era mas sim! A possibilidade dele estar na cidade para se apresentar num dos lugares que ela mais gostava de frequentar a tomou de tal forma que, da selvageria de Serena Van Der Woodsen ela se transformou em Elizabeth Bennet ao saber que Mr. Dary estaria na cidade. Não sabia explicar, só sentir. Era algo tão bom e como ela queria este show! Como ela queria estar lá!
Seu namorado gostava da música dele também. Quis ir ao show.
No dia, fez de absolutamente tudo para atrasar e não ir. Ela desesperada, não negava o desejo, quis por que quis e atrasadíssimos, na estação de trem que anunciava trens em velocidade reduzida, ela chorou.
Tola, desconhecendo o que sentia, achava que chorava por perder um show que queria muito ver! Mas até seu namorado já havia notado que não era apenas um show que ela queria muito ver! E por isso tanto fez atrasar.
Chegando no teatro, um atraso de quase meia-hora a fez correr e, ao entrar na sala, como de praxe neste lugar, os atrasados, para não prejudicarem o restante da plateia, deveriam se sentar onde houvessem lugares próximo dos corredores e, para sorte dela e azar do namorado, aconselharam descer por todo o corredor lateral e sentar na primeira fileira que era uma das poucas que estava vazia - eram lugares marcados.
Ela encantada não conseguia olhar para mais nada! Somente ele, ele e... tá! uma cantora que ela adora, adora, adora também!
O show acabou e, ela com raiva do namorado e tímida, não quis ir abraçar o 'amigo virtual'.

Em meio a essa bagunça toda na vida dela. Geminiana nata! Muitos amores e amores nenhuns. Curiosidade. Busca incessante por conhecimento. Paixão intelectual. Mundo das ideias. Tudo transbordando, em ebulição ao mesmo tempo. No olho do furacão!

Tempos depois, acabou esse relacionamento louco, destruída, arrasada e foi viver. Se aventurou com outros amores, outras drogas e outros caras nem tão de amores assim. Mas uma boa foda não precisa ser negada se não há nenhum impedimento, certo?

 Voltou a se conhecer. Recolher seus retalhos, reviver seus gostos, reencontrar seus desejos e, em meio a essa bagunça toda da vida, lá estava! O sentimento puro por ele. 
Quando todas as tormentas acalmaram, ela nem podia acreditar que aqueeeele sentimento de amizade querida que ela achava ser era na verdade outro.

Ficaram muito tempo sem se ver. Sem se falar. Mas ela sabia o que queria. E num impulso incontrolável ela foi ao Rio.
Estava decidida a sair do que ainda assombrava sua vida e pensar na vida. Foi um exílio. Propositalmente escolhido a dedo - Rio de Janeiro, bairro de Santa Teresa.
E se encontrasse com ele por acaso? Seria só o acaso mesmo, claro! rsrsrs
E aproveitou tudo que havia de bom no Rio. E se encantou com Santa Teresa. Mas não viu o rapaz por lá.
Apesar de postar claramente que estava no Rio. Ele não demonstrou nenhum interesse por isso. E será que viu? Isso ela não sabia dizer. Voltou a São Paulo tranquila no coração. E isso é algo extremamente raro! Essa garota estar tranquila no coração.

Sexo, Drogas e Recomeços

Eu não sei bem como as pessoas me vêem mas certamente elas não me enxergam da maneira como eu realmente sou.

Acho que por muitos lá em minas eu sou vadia. Muita gente conhece os caras que ficavam comigo e normalmente a gente ficava 'pra valer'!
Sei que a minha lista é extensa mas não há de ser tão grande quanto a que contam por lá. Mas nem ligo. Sinceramente, não ligo pra fama que carrego - ou não. Quando estou lá, estou tão focada na casa, em mim, na conexão com a natureza que é tão escassa aqui em SP. E aqui eu tenho, invento, encontro quantos amores e trepadas boas eu quiser - estou namorando agora então nem tô procurando mas eu sei que é só dobrar a esquina que se encontra sim. - o que eu quero dizer é que romance é o que eu não procuro em minas mais. Nem aceitação. Nem fama. Nem destaque em qualquer coisa não. Lá é meu descanso. Meu spa, meu mundinho particular de relaxamento.

Eu não sou uma mina que trai. Pelas péssimas experiências que tive, acho que jamais serei essa mina.

Hoje eu estou bem certa do que eu quero de romance, com quem eu quero estar. Não significa que eu seja a pessoa super bem resolvida e realizada nessa área da vida - em nenhuma área na verdade. Simplesmente quero dizer que eu estou bem como eu estou. Que não busco mais nada. Sei do toque que eu gosto, sei de como eu gosto de beijar, onde eu gosto de ir, que tipo de programação eu curto. Estou tranquila comigo, só isso. Só resolvi aceitar meus gostos e as coisas aqui dentro como 'ok'. Sem precisar da régua dos outros pra medir. Tá ok gostar de Ligetti e gostar de Pablo Vittar rsrs
Tá ok gostar de moda e não gostar também. Tá ok comer coisa chic e gostar e comer coisa pobre e gostar também.

Eu passei muito tempo achando que eu não tinha nada a oferecer. Perdida, tentando me preencher.
Me apeguei a pessoas erradas, falsas, ruins, superficiais, vazias. Me vi experimentando de tudo antes que o mundo acabe. Quase fiz sexo grupal. Misturei ervas e comprimidos e muito álcool na vida.
Me perdi numa aposta. Fui para apês em coberturas que não faço a menor ideia de quem era... Transei com caras que no meio da transa me vi sem saber o nome deles. Encontrava gente nova na balada e já virava miguxos, botecos e ruas... comidas sem procedência alguma...

A pior viagem de todas foi de ácido. Nunca mais tomo ácido na vida!

Mas também, nem tudo foi junk na vida. Também confiei em desconhecidos e descolei lugares firmeza, pessoas bacanas pra vida, me atrevi a a misturar o virtual e o real e conheci gente legal, lugares legais... Histórias... cada história!

Isso assim é a minha vida. Descobertas, loucuras, histórias de gente de todo tipo.
As vezes parece que eu preciso de um relacionamento sério pra não endoidar.
E as vezes fico pensando: quando é que vão perceber que eu sou louca? Família jamais desconfia de tantas sandices na minha vida. Na família e nos amigos próximos, raros os que sabem dessa vida junkie total!

As vezes me sinto a banda podre de Serena Van Der Woodsen rsrsrs - sempre precisando de um relacionamento sério para me salvar.



sábado, 2 de dezembro de 2017

Porque Something

Something é uma das melhores dos Beatles.
E é uma das melhores músicas do melhor dos Beatles, o George.
E Something está presente num dos melhores filmes da minha vida: As Melhores Coisas do Mundo.

Então, consegue entender a relação de Somenthing e o Melhor na minha vida?
Por isso Something. Porque aqui quero depositar algumas coisas que me deixam feliz. Algumas coisas que me fazem devanear. Alguns devaneios que me fazem feliz.

Aqui então é um cantinho de alguma coisa boa.
Aquele lugar secreto, de segredos, de desejos, de conforto.

De paz mundial, Amor Perfeito, historinhas e romances.

Por muito tempo fiquei com vontade de escrever estas minhas histórias mas por um tempo parecia errado. Parecia errado ser como eu sou, parecia errado querer algo enquanto já tenho outro algo tão bom. Parecia arriscado, caso alguém encontrasse isso por aí... Então lanço aqui, neste cantinho meu, esses pensamentos loucos que me fazem viajar. =)

Wave

Em meados de 2006-2007 que surgiu um tal de Facebook (na vida dela) e rumores de que o Orkut já eras. Ela acessa a nova rede e tenta se adaptar. Muita coisa em inglês, muita coisa confusa...

_Definitivamente isso não vai vingar! Não tem nada a ver com o Orkut!

- Sugestões de amizade:
_ Vou procurar gente famosa! Olha a Zélia Duncan, o Roberto de Carvalho...
E começa a adicionar um sem-fim de pessoas, famosas e não famosas... sugestões de amizade. Todas.

Época de eleição. Ela gosta de política. Começa a tentar interagir através deste tal de Facebook. O Orkut já não tinha tanta graça... Começa a jogar todos os joguinhos que aparecem... Aos poucos começa a se adaptar com essa nova ferramenta. Abandona o Orkut.

É um pouco embaraçoso mas é preciso dizer.
Nesta fase da vida, ela se encontra num momento político um tanto distante da esquerda. Cabecinha de vento, abandona a velha luta estudantil que chegou a viver na adolescência (Ah a adolescência! Esta a melhor fase da vida dela!) e se apega a ideais conservadores, absorvendo o pensamento do então namorado.
Muito crítica as políticas públicas adotadas pelo presidente, representação maior da esquerda brasileira - ela se acha politizada. Na verdade ela se desconhece bastante. E está num movimento que, lá na frente ela vai perceber, ser de total desprendimento com sua própria identidade.

Eis que o destino se encarrega de colocar suas ideias de encontro com as de um outro guri. A sintonia intelectual e o interesse parece uma faísca que só faz crescer.
Por outro lado, também surge um encantamento especial por outro guri.
De um lado ela tem o Iluminismo. Do outro a rebeldia Punk. E na real ela vive aprisionada a um relacionamento que ela insiste ter algo de bom, ela insiste em se impressionar com idealismos sobre o namorado. Ela tenta acreditar que ele é incrivelmente a mistura ponderada dessas duas personalidades. Ela consegue ver nele um ser político, de críticas coerentes, um ser musical de grande conhecimento, um ser cultural de diversos ares que ela ainda precisa conhecer.

Com o tempo, este romance a faz sofrer absurdamente e então, depois de muitas sessões de terapia, apoio de amigos e familiares, ela se fortalece e retoma o protagonismo de sua vida. É chegada a hora de navegar!
Ela ousou conhecer o garoto punk e percebeu também um certo vazio. Foram bons tempos de beijos, transas, cigarros, vinhos e cervejas, hotéis baratos... Um desejo gritante de não perder a juventude que, para ela não havia tanta urgência assim em vivê-la - ela nunca foi de ansiar mais idade ou menos idade... sempre foi de ir vivendo, vivendo, vivendo... Dos 18 aos 25 foram anos perdidos sim. Mas até os 17 e depois dos 25, retomou o equilíbrio da vida.

Ela é na verdade uma grande mistura de tendências, vontades, releituras, idealizações... é a menina do campo, a menina da metrópole, a apaixonada por folhetins, novelas de época, luta política e arte moderna. Sonha com um grande Amor e também é feminista, gosta de jogar bola na rua e não liga de comprar sapatos e roupas na sessão infantil. Ela sonha alto, tem esperanças. Quer mudar o mundo. Quer inspirar pessoas. Quer aprender e beber de todas as fontes. Desacredita o passado conservador abestado. Se orgulha do nada que é.

Num desses momentos de ódio, provocado pelo ex, do nada teve um afago do guri iluminista. Se assustou. Não esperava isso. E assim mantiveram contato.
Ela em SP, ele no Rio. Ela beirando os 30, ele beirando os 40. Ela perdendo a usp, ele ganhando o mundo. Mas pelo elo estabelecido no Facebook, mantinham uma comunicação saudável e gostosa.

Este é o início de uma das histórias.